Você está aqui: Página Inicial / Destaques CartaCapital / Fatalidade ou crime?

Destaques CartaCapital

Newsletter

Fatalidade ou crime?

por Rodrigo Martins publicado 21/09/2012 12h02, última modificação 21/09/2012 12h02
Após a tragédia no Moinho, o Ministério Público promete investigar a onda de incêndios em favelas, localizadas nas regiões de maior valorização imobiliária da capital paulista
incendio

Apenas neste ano, 69 comunidades foram destruídas pelas chamas na capital. De 2005 a 2011, os bombeiros atenderam a mais de 840 ocorrências. Foto: Helvio Romero/AFP

Na tarde da quarta-feira 19, a garçonete Rita Aparecida dos Santos, de 50 anos, ainda fazia os cálculos das perdas sofridas durante o incêndio que atingiu a favela do Moinho, no centro de São Paulo. Metade do barraco de madeira foi completamente consumida pelas chamas, mas os bombeiros conseguiram salvar o banheiro e um quartinho apertado, onde ela tratava de ajeitar os poucos pertences resgatados. Panelas e utensílios de cozinha, em sua maioria.
“Perdi fogão, geladeira, televisão e a maior parte das roupas. Na hora em que ouvi a gritaria, o fogo já tava no meu telhado. Só deu tempo de acordar meu marido e pegar alguns documentos”, conta, com o cachorro Alex a tiracolo, um pouco chamuscado nas patas traseiras. “Aqui eu não fico mais. É o segundo incêndio em menos de um ano. Não vou esperar o terceiro”, conclui, com o olhar perdido para os escombros.
A favela do Moinho fica debaixo do viaduto Orlando Murgel e às margens de uma linha de trens metropolitanos. Em dezembro do ano passado, um incêndio de grandes proporções destruiu um terço da comunidade e deixou ao menos 200 desabrigados. Duas pessoas morreram. Desta vez, as chamas mataram um homem, destruíram 80 barracos e abalaram a estrutura do viaduto, parcialmente interditado. Os bombeiros foram chamados às 7h08 da segunda-feira 17 e só conseguiram controlar o fogo cerca de uma hora e meia depois.
*Leia matéria completa na Edição 716 de CartaCapital, já nas bancas