
Pesquisadora que participou do estudo da OIT sobre o trabalho escravo afirma que esse modo de produção tem ganhado espaço na era da globalização. Foto: Cícero R. C. Omena
O trabalho escravo rural no Brasil é uma das peças que constituem o desenvolvimento do capitalismo de ponta no país. Divulgado na terça-feira 26, um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) traçou um perfil dos trabalhadores e empregadores desse processo. Adonia Prado, pesquisadora Grupo de Estudo e Pesquisa Trabalho Escravo Contemporâneo da Universidade Federal do Rio de Janeiro e que participou do estudo, alerta que esse tipo de trabalho, abolido em 1888, faz parte da estrutura do capitalismo avançado e da produção de commoditties atuais.
“Ele é funcional a esse modo de produção globalizado altamente concetrador de renda”, explica Prado. Segundo a pesquisadora, essa exploração vem ganhando espaço no mundo todo e existe, em graus diferentes, em quase todos os países. São empreendimentos de ponta, diz ela, que produzem para exportação. Na cidade, o trabalho escravo também está ligado a grandes marcas, como foi o caso recente com a loja Zara, que comprava roupas de confecções ilegais e escravagistas. “Não é resquício de outros tempos”, diz ela.
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O estudo da OIT mostrou que a maior parte dos trabalhadores era negra (18,2%) e parda (62%) e veio do nordeste para as regiões norte e centro-oste, onde acabaram “presos” em fazendas escravagistas. O endividamento e falta de localização – as fazendas são afastadas de centros urbanos e pontos de referência e em regiões estranhas aos empregados – são as principais razões para que os trabalhadores não consigam sair dessa condição. Apesar de não ter visto nenhum capataz nas visitas de fiscalização para a produção do estudo, Prado aponta que documentos de seu grupo de estudos constataram a presença dessa figura, que utiliza a violência como forma de coerção para manter a prisão, em outras visitas feitas.
Na maioria dos casos, o trabalhador é obrigado a comprar comida e equipamento do patrão. Ao final do mês, ele deve mais do que ganhou. “Na maioria dos casos o trabalhador pobre tem um senso moral muito aguçado”, comenta Prado. “E fica
com a consciência culpada; acha que deve ao patrão”, diz ela.
“Vale a pena para os empregadores manter essa condição sub-humana”, diz ela. O empregador, cujo perfil é do homem branco e nascido na região sudeste, considera que o custo final do produto é menor que o do trabalhador que tenha seus direitos protegidos. A pesquisadora explica que até hoje nenhum empregador foi para a prisão por ter propriedades com trabalho escravo, apesar de inúmero julgamentos que já ocorreram. “No máximo pegam pena de prestação de seviços comunitários”, conta ela.
Prado indica que há um movimento de rechaçamento deste tipo de prática. O Ministério do Trabalho disponibilizou em sua página uma lista com 245 empregadores que devem ser evitados tanto na hora de pedir emprego quanto pelos compradores de seus produtos. “Essa indicação faz com que esses empreendedores percam mercado porque muitas empresas inclusive fora do Brasil deixam de se interessar”, diz ela, que aponta para a criação de dificuldades econômicas para os empreendores como uma das maneiras de se erradicar esse modo de produção desumana.
Que planfetagem anti-agronegócio. Quer ver trabalho escravo vá até a maior cidade do país, no bairro de maior comércio, o Brás, embaixo de cada loja de roupa têm pelo menos uns 50 bolivianos trabalhando 16 hs por dia fazendo o serviço que até 10 anos atras era de nordestinos.
Ridículo!!! Um erro não justifica o outro. Não é porque existe trabalho escravo no Brás que fecharemos nossos olhos ao trabalho escravo rural!!! Na área rural é MUITO PIOR já que o trabalhador não pode nem fugir e procurar algo melhor.
Triste pensamento…
Esta cena sempre me perturba! Este retrato que a Clara Roman, a bela Clara, nos apresenta acima, é estarrecedor. Então volto a ler Marx sem necessariamente ser comunista mas profundamente humano. São dois lados diferentes mas de uma mesma moeda. Marxismo é um sistema filosófico, a mais poderosa idéia desde milênios. Comunismo vem do Nazareno quando diz que “tudo é comum a todos” repensado por Carlos Marx, com todo rigor e propriedade. Cristo e Marx, dois humanos parecidos, incompreendidos, ultrajados. Aliás, marxismo é humanismo! Assim é com homens de excelência. Dois judeus no esforço ingente de aperfeiçoar a natureza humana. Ambos relegados, defenestrados, maltratados. Visitei Goiana (PE), em 1957. A paisagem era a mesma em 2007, 50 anos depois. Assim como vemos na foto acima. Pouco mudou. “Tempus fugit irreparabile”!!! Pernambuco muito mudou. Vejo cenário diverso hoje apesar de muitíssimo ter de fazer. Já se foram verdadeiros mártires nesta luta insana mas valorosa. Outros…
O que estranha é a falta de empenho dos governos Lula/Dilma no combate ao trabalho escravo. Ambos deixaram a desejar neste quesito. É preciso ampliar as ações do Ministério do Trabalho e combater a corrupção de fiscais que fazem “vistas grossas” para o problema.
Tem que acabar! A Carta precisa continuar denunciando isso e é um tema que merece reportagens de folego! A vista grossa em relação a trabalho escravo no Brasil é revoltante! Todo mundo sabe, por exemplo, da situação dos Bolivianos nas confecções do Bras e Bom Retiro e as autoridades paulistas não se movem! O regime de “escravidão moderna” que muitos de nos vivemos já é pessimo! Essa escravidão classica entao é totalmente intoleravel!
Vou tentar ajudar alguns sectários aqui com fatos: – antes do advento da mente , da fala e da palavra, o Homem conhecia seu semelhante e o ceticismo era a sua defesa.
O ceticismo não permitia relações promíscuas entre os humanos. Aliás foi a única coisa que restou deste Homem e que impede e escravização de um ser humano por outro. É também a base para entender um pouco a condição humana.
A diferença entre mim e alguns aqui, é que eles são crentes e eu, jamais.
Acreditam no humano, demasiado humano. Citam até seus mentores , humanos como eles, mas que os consideram superiores. Por isso, escravos de ideologias e religiões, tornam se presas fáceis deles que os fazem de massa de manobra.
A mente mente.Ou não se chamaria mente.Eu não acredito nem na minha própria.
Como essa gente não percebe muito as coisas, vou deixar claro aqui que não sou de esquerda, direita ou centro. Muito pelo contrário.
Aplaudamos!!! O Sr. Mauro J. Vieira, do alto de sua “enorme cultura” e “conhecimentos históricos” sentenciou: “…não existe o não capitalismo a não ser em Júpiter ou Marte…” É triste ver a arrogante ignorância destilar seu veneno tolo e sem embasamentos. O Sr. Mauro acha que apenas citando (cuspindo ao vento) nomes carimbados como Nietzsche e Freud, confere alguma credibilidade às suas opiniões elitistas e conformistas. É preciso (diria até imprescindível) que nós mudemos nosso sistema de organização social que é baseado na exploração da humanidade e do planeta. O capitalismo caminha a passos largos para sua própria aniquilação e, caso não consigamos destruí-lo antes, vai lançar toda a humanidade e a Terra no abismo. Ao Sr. Mauro deixo, como sugestão de leitura, uma lista de autores que ele não leu e talvez nunca leia: Theodor Adorno, István Mészáros, Slavoj Žižek, Guy Debord, Oscar Wilde, Etienne de La Boétie, Jacques Lacan, Eric Hobsbawm, Noam Chomsky! ABAIXO O CAPITALISMO!!!
So existe escravidao pq essas pessoas nao foram propriamente educadas.
Falta de educacao e a origem do mal.
Me restringi apenas a fatos. Citei alguns exemplos para desiludir alguns que ainda acham que existe outra coisa além do capitalismo. Este, é privado ou de estado. O de estado, como já se viu na URSS é muito pior. Produz muito menos, mais caro e pior. Já o privado, com os milhões de pessoas da população o praticando, o resultado é infinitamente melhor.
Enfim, não existe o não capitalismo a não ser em Júpiter ou Marte.
O que se tem que tomar cuidado é com uma minoria que sempre encontra brechas nas leis para fraudá-las.
Quanto à condição humana, sabe lá para se ter alguma noção dela atraves de livros será possível. Pode até ajudar um pouco com um Nietzsche ou Freud, mas se se não pegar o espírito da coisa nas práticas humanas das ruas, não haverá livro que façar este milagre.
A teoria na prática é outra.
PS correção: escravização com “z”, não com “s”
Se a escravisação do seu semelhante, por constatação histórica, acompanha a humanidade, nesse momento deveríamos contar com a nossa capacidade de abstração, resultante da evolução da espécie, que nos permite entender e colocar no lugar do outro. Há um limite ético para as realções de dominação, não só de trabalho. Enquanto não alcançarmos o patamar em que a ética esteja incoorporada na vida comum, as ferramentas jurídicas e a fiscalização serão o únicos meio de defesa de todos. Não acho aceitável nem natural a postura de dominação-competição a qualquer custo. A barbaridade que fique para a pré-história.
O que a senadora Kátia Abreu e outros tantos defensores do agronegócio tem a dizer sobre o assunto?
Me restringi apenas a fatos. Citei alguns exemplos para desiludir alguns que ainda acham que existe outra coisa além do capitalismo. Este, é privado ou de estado. O de estado, como já se viu na URSS é muito pior. Produz muito menos, mais caro e pior. Já o privado, com os milhões de pessoas da população o praticando, o resultado é infinitamente melhor.
Enfim, não existe o não capitalismo a não ser em Júpiter ou Marte.
O que se tem que tomar cuidado é com uma minoria que sempre encontra brechas nas leis para fraudá-las.
Quanto à condição, sabe lá para se ter alguma noção atraves de livros será suficiente. Pode até ajudar um pouco com um Nietzsche ou Freud, mas se se não pegar o espírito da coisa nas práticas humanas das ruas, não haverá livro que façar este milagre.
A teoria na prática é outra.
Aprovação da PEC 29.. Expropriação das terras dos senhores feudais do século 21..
Blá, Blá, Blá, Blá……
Ainda guardo estrategicamente comigo o caderno especial sobre a posse do “Senhor Presidente” publicado pelo jornal “Folha de São Paulo”, em 02/01/2002, onde podemos ler grifado, logo na primeira página, o trecho do seu discurso, elaborado a quatro mãos em perceria com o nosso Goebels tupiniquim, o Sr. Duda Mendonça (Isto é apenas uma pergunta: Afinal, o Sr. João Santana é ou não laranja deste ?), onde o “magnífico” prometeu realizar “um verdadeiro salto de qualidade” no país. Nove anos depois ainda constatamos no Brasil, este quadro execrável acima descrito. Vale mais uma vez salientar que, com o escândalo do mensalão, o mesmo, para livrar o pescoço,se bandeou para o lado da velha oligarquia , enquanto dava início ao processo de “fritura” da Ministra Marina Silva, que apenas denunciava a aceleração da expansão da fronteira agrícola, batendo recordes de devastação ambiental.
Não consigo acreditar que ainda exista esse tipo de trabalho, é revoltante ver que essas coisas acontecem e ninguém faz nada para acabar com isso.
Imagino a fonte turva onde MVieira vai beber suas “informações”, e não posso calar-me diante de tamanha irracionalidade. Afirmações do tipo “… o Homem continua o mesmo de sempre, de milhões anos, pensando em si na competição e fazendo tudo para sair vencedor. Isto é da natureza e indestrutível e assim será até os fins dos tempos…” além de escritas sem a menor noção de coesão e coerencia, são totalmente ideológicas e, para ser claro, de uma ignorância abissal. Revela muito do pensamento elitista que nos assola, o mesmo modo de “ver” as coisas que faz com que milhonários utilizem da escravidão para enriquecer ainda mais e mais… A ganancia não é a “moeda do progresso”, é, na verdade, o motor das guerras, a destruição planetária, o dedo no gatilho, o chicote nas mãos do Capitão do Mato!!!!!!
“Não é resquício de outros tempos”. Será que não??? Quem é o explorador? o branco?!!!… Quem é o explorado? “O estudo da OIT mostrou que a maior parte dos trabalhadores era negra (18,2%) e parda (62%)”; Mudando o contexto dos séculos e consequentemente algumas de suas caracteristicas, mal disfarçadas por sinal, via de regra é claro que ha resquicios, há uma parcela, como essa da sociedade brasileira que ainda gananciados por interesses economicos exploram pessoas que não teve a oportunidade, normal no Brasil né? conseguir o mesmo direito, seja ele economico,politico, educacional e são sujeitados a esse tipo de “escravidão” em pleno seculo XXI, isso é uma VERGONHA.
A verdade é que temos um Ministério do Trabalho pelego que não se sabe a quem serve realmente. Não só as condições subumanas se observam, mas também e principalmente a forma de remuneração aviltante como se permite. Há casos em que o trabalhador sujeita-se a trabalhar por comissão. Se vender receberá, em caso contrário nada lhe será devido. Isto é, passam um mês inteiro à espera de uma venda para se manterem e à disposição do patrão e nada! E mais perverso ainda é quando por época de Natal, Dia das Mães etc. quando se observa um acréscimo nas vendas os percentuais das comissões são drasticamente reduzidos em até 50%. Um crime aos quais as autoridades competentes fecham os olhos. E ainda ousam falar que vamos bem nessa área, pois temos tantos milhões de trabalhadores com carteiras assinadas e outras inverdades que nossos governantes, mesmo ditos de esquerda, oriundo da classe trabalhadora, insistem em pregar falsamente. MENTIRAS TÃO SOMENTE!!!
O que se conclui do que escreve MVieira às 10:58 deste belo dia de sol, é que se trata de uma pessoa incompreendida, indignada com sua condição humana! Compara-se às cavernas pitecantrópicas, compara-se, e alude colocar todos num mesmo saco, ao tigre faminto, ao leão coroado, à raposa felpuda, ao bezerro, aos veados velozes das planícies, à ema, à barata enfim. Esta sua visão da “condição humana” é própria dos sem-leitura, dos que não leem apesar de terem tido condições para tal. Orelha de livro ou papo de mesa-de-mar, e todo raivoso ranço deletério, aqui não cabe neste mundo do bem e da esperança sem fim. Chega ao ponto de falar em “sociedade civilizada” quando cai de “sola e sapato” sobre a sociedade e a condição humana de todos nós, pobres viventes. Finalmente, joga bombas, provavelmente caseiras, sobre nossos hermanos de Cuba e sobre as populações de fala cirílica restantes. Deus tenha piedade dos que com raiva nos tratam.
Aprovemos a PEC do trabalho escravo!! Viremos vegetarianos!! Pesquisemos a procedência dos produtos que consumirmos!! Abaixo o MC Donalds, antro capitalista doentio que faz dos trabalhadores verdadeiros burros de carga com a tal da jornada móvel variável.
Realmente, até o momento de meu acesso, como salaienta acima a Karina Buhr, o link da lista não está funcionando. Mas mesmo assim, muito boa essa matéria! Nada como uma pesquisa bem feita. E isso está reverberando geral.
É da condição humana o aniquilamento de seu semelhante ou o seu subjugamento, que tem o nome de escravidão.
Nas democracias capitalistas, o Homem continua o mesmo de sempre, de milhões anos, pensando em si na competição e fazendo tudo para sair vencedor. Isto é da natureza e indestrutível e assim será até os fins dos tempos.
O que detém o Homem em suas práticas predatórias são as leis e estas têm sempre que ser aperfeiçoadas infinitamente, mas procurando um equilíbrio para que a produção não seja prejudicada e nem tire a ambição, pois ela é a mola do progresso.
Enfim a escravidão existe no mundo inteiro, mas melhorou bem com o fim da URSS, onde toda a população era escravizada, sem perspectiva de sonhar com um amanhã diferente. Ganhavam casa, comida e roupa, como num convento ou num presídio e isso é confundido com justiça social, como em Cuba ainda hoje e o resultado é a miséria socialista.
Enfim, numa sociedade civilizada existem leis que inibem e punem o crime.
O Link da lista não tá funcionando.
Obrigada pelo texto.
27.04.2012
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