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Em constante movimento

por Orlando Margarido — publicado 29/06/2012 12h02, última modificação 29/06/2012 12h02
Exposição relembra Federico Fellini, o imaginador que deu grandeza aos seres ordinários
Fellini

Sonhar era preciso. Fellini nas filmagens de Oito e Meio (1963) e sua versão desenhada de Os Boas-Vidas (1953). Foto: Tazio Secchiaroli/ Coleção David Secchiaroli, Milão

O extraordinário sempre fascinou o Federico Fellini homem e cineasta. Sobre este temos a prova notável de um cinema repleto de memórias, fantasias e seres que vagam entre uma realidade vivida e a própria imaginação extravagante do artista. Coube, porém, a biógrafos o trabalho de esmiuçar a vida do diretor italiano para detectar, entre a lenda e a verdade, os fatos merecedores dessa condição. Um deles ostenta a vocação de quem quis se fazer lendário logo cedo. Contava ter nascido a bordo de um trem  não muito longe da cidade onde foi registrado, Rimini, de tantas referências em filmes. O grande amigo e autor do talvez melhor apanhado de sua trajetória, o crítico Tullio Kezich, lembra na abertura do livro que na data em questão uma greve de ferroviários coloca fim à intenção de escapar ao ordinário.  E se pergunta a razão da lorota, pois não foi outro o destino de Fellini, fazer-se especial dentro e fora das telas.

Uma interpretação vem da ideia sempre apreciada pelo mestre em se dizer um homem em movimento, aquele que sai da pequena província aos 19 anos para abarcar as possibilidades infinitas em Roma, e agora sim, em um trem. Isso inclui não só o realizador de filmes memoráveis como A Doce Vida (1960) e Oito e Meio (1963), mas o jornalista, o ilustrador, o desenhista de modo geral. São tantas as habilidades, que foi necessário adotar o título Tutto Fellini, ou Todo Fellini, para a exposição a ser inaugurada na sexta 6 no Sesc Pinheiros, em São Paulo. O homenageado, morto em 1993 aos 73 anos, por certo teria algo a reparar ou a acrescentar ao mito por ele criado, mas estão lá significativos 400 itens que não vão desapontar os fãs em seu imaginário. São documentos, fotografias de bastidores das produções, revistas de época, cartazes, entrevistas e trechos de filmes, além dos desenhos de próprio punho, mas não só esquetes para o que executaria nos sets.

Era preciso sonhar para o cinema que Fellini perseguia, e muitos desses sonhos ganhavam o papel, e quem sabe daí, a tela. O universo onírico lhe era tão importante que em 1960 o diretor mergulha nos estudos de Jung e suas teorias sobre a análise dos sonhos e a ideia do inconsciente coletivo. “Passa então a transcrevê-los para o desenho e a escrita (...), pois o pensamento do psicanalista oferece uma estrutura a suas explorações cinematográficas”, lembra, em texto para o eventoL’, Sam Stourdzé, diretor do Museu Elysée, na Suíça, e responsável pela curadoria.

*Leia matéria completa na Edição 704 de CartaCapital, já nas bancas

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