Você está aqui: Página Inicial / Destaques CartaCapital / E Paris criou o design

Destaques CartaCapital

Newsletter

E Paris criou o design

por Ana Ferraz publicado 16/11/2012 08h49, última modificação 16/11/2012 08h49
Historiadora mostra como a invenção do sofá abriu caminho para uma revolução no conforto
plural1

Descontração. Joan DeJean, autora de O Século do Conforto, devoção à cultura francesa.

Um dos símbolos máximos da arquitetura francesa, Versalhes é um palácio de superlativos: centenas de quartos, milhares de janelas, dezenas de lareiras, quilômetros de jardins esplendorosos. A opulência visível, entretanto, escondeu por um bom tempo o que só seus moradores sabiam. A residência oficial da família real foi por anos o mais desconfortável palácio da Europa. A morada construída pelo Rei Sol, Luís XIV, inicialmente não dispunha de salas de banho privativas, banheiros ou encanamento. Não havia aquecimento adequado e nenhum móvel onde repousar de modo realmente confortável. A mais grandiosa e opulenta residência de todos os tempos era também a menos habitável.

A depender da iniciativa do rei, a Versalhes bastava irradiar grandeza e magnificência. A marquesa de Montespan discordava. Amante com status de quem frequentou o palácio por quase 25 anos, ela deu oito filhos a Luís XIV e lhe abriu as portas de um conceito que começava a tomar conta de Paris, o conforto. “Ela desempenhou um papel crucial no âmbito da moda e da decoração de interiores. Montespan introduziu as pessoas à ideia de que o melhor estilo está na simplicidade. A marquesa também mostrou às mulheres que a moda podia ser glamourosa e confortável ao mesmo tempo”, conta a CartaCapital a historiadora norte-americana Joan DeJean, autora de O Século do Conforto (Civilização Brasileira, 416 págs., R$ 62,90).

O que a pesquisadora define como Século do Conforto compreende de 1670 a 1765. Praticamente tudo o que hoje compõe uma casa foi desenvolvido nessa fase de efervescência e encantamento com as próprias descobertas, amplamente registradas em cartas, diá­rios, jornais e revistas. Um objeto tão prosaico quanto um sofá, a ocupar o centro das atenções numa sala, até então jamais tivera sua função delineada como tal. Os gigantescos cômodos palacianos continham poucos móveis. A maioria das peças estava ali como símbolo de status dos proprietários, que as dispunham nas primeiras salas, para admiração dos visitantes. À medida que se avançava palácio adentro, diminuía o mobiliário. Poucos móveis eram de fato destinados ao uso cotidiano, quase nenhum reservado ao relaxamento.

*Leia matéria completa na Edição 724 de CartaCapital, já nas bancas

registrado em: