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Direto da Casa Branca

por Rosane Pavam publicado 01/03/2013 11h54, última modificação 01/03/2013 11h54
Teria sido um grande ano para os roteiristas, não fosse a séria suspeição de pelo menos uma farsa

O diretor Quentin Tarantino mal agradecera o Oscar recebido pelo roteiro original de Django Livre quando decidiu permanecer no palco do Dolby Theater, em Los Angeles, para um arremate. No final de seu discurso, disse aos colegas concorrentes nas categorias de roteiro que haviam sido todos “fantásticos”, para então enfatizar ao público presente à festa, no dia 24: “Este é o ano dos escritores, cara”. Tarantino, cujo filme receberia apenas mais uma estatueta, a de ator coadjuvante, para Christoph Waltz, talvez tenha resumido em sua fala o propósito das premiações do ano. Era como se Hollywood celebrasse aqueles que ousaram escrever a história por meio de seus filmes. Ou, em lugar de escrevê-la, eles a teriam reescrito?

Cineasta, crítico, cinéfilo e roteirista, Tarantino concretiza em seu western politicamente correto uma vingança explosiva contra o passado escravocrata do país. Mel Brooks ironizara antes essa condição, mas de forma seca, algo surreal, em Banzé no Oeste, de 1974. Essa fantasia de Tarantino, como suas anteriores, vem pelo contrário construída com farto humor e horror histriônico, ademais admitindo uma predileção americana em resolver as coisas pela força dos canos fumegantes.

Tarantino cristalizou um estilo. Em Pulp Fiction, de 1994, ele surpreendia o mundo do cinema com uma curiosa comicidade, especialmente durante aquela conversa dos matadores que, a caminho do serviço, versavam sobre o sanduíche ideal. Em Django Livre, a atrapalhada milícia aparentada à Ku-Klux-Klan discute sobre a inconveniência dos furos em seus capuzes antes de proceder ao extermínio, o que, mais uma vez, diz bastante sobre a competência (ou não) daqueles personagens, numa das melhores tiradas do filme. O público parece desejar que seu estilo se repita.

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