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Dirceu condenado

por Cynara Menezes — publicado 11/10/2012 11h31, última modificação 11/10/2012 11h31
Por 8 a 2, o Supremo entende que o ex-ministro chefiava um esquema de compra de votos no Congresso
Dirceu

O ex-ministro José Dirceu. Foto: Rodrigo Dionisio/AE

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Britto, ora rolava a caneta entre os dedos, ora passava a mão no queixo ou massageava a orelha esquerda, enquanto pronunciava lentamente sua sentença. “A tentativa de coligação e até de coalizão, em período eleitoral, faz parte da perspectiva da governabilidade. O que é estranhável é a aliança pecuniária. Isso é excomungado. Alianças feitas argentariamente são repudiadas pela ordem jurídica. Quando alianças e acordos se fazem à base de propina, de suborno, de corrupção, é doloso à sociedade”, disse o ministro. “Sob inspiração da velha, matreira, renitente inspiração patrimonialista, um projeto de poder foi arquitetado. Não de governo, porque projeto de governo é lícito.”
Mais do que condenar por corrupção ativa o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, o que o STF fez foi punir a Realpolitik, ou as velhas maneiras de se fazer política no Brasil. A Corte concluiu que houve compra de votos de parlamentares e que Dirceu coordenou o esquema.
Ayres Britto, como sete dos demais ministros, se disse convencido de que o então chefe da Casa Civil era o comandante e o placar terminou nos previstos 8 a 2: apenas José Antonio Dias Toffoli e o revisor, Ricardo Lewandowski, votaram pela absolvição. À falta de provas concretas, o presidente do Supremo recorreu ao interrogatório do próprio Dirceu, que afirmava seu conhecimento amplo dos fatos relativos ao governo. “Ele mesmo deixou claro que era plenipotenciário”, declarou o presidente do Supremo, todo o tempo preocupado em demonstrar que a Corte não se guiava por dedução apenas. “Os interrogatórios também são provas”, defendeu. “Eu vejo aqui vários signos incriminadores.”
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