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Diques para tsunamis

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 09/03/2012 12h39, última modificação 09/03/2012 12h39
Sair da mediocridade exige disciplinar rapidamente os fluxos financeiros, mas também clareza nos projetos de desenvolvimento a longo prazo
Dilma e Merkel

Faça o que eu digo. Merkel queixa-se a Dilma de protecionismo que seu país também pratica. Foto: Odd Andersen/AFP

Neste mundo em transformação, demasiados analistas, planejadores e economistas brasileiros continuam presos a paradigmas e (falsos) problemas dos anos 1990. Foi preciso muito apego a agendas do passado (e ao rendimento fácil das aplicações financeiras) para se opor à redução das taxas de juro quando as evidências do agravamento da crise europeia e as consequências negativas do câmbio supervalorizado já estavam à vista.

Denunciar cautelosas medidas protecionistas como um escândalo nesta conjuntura é uma atitude do mesmo naipe. Já era mostra de apego a mesquinhos interesses setoriais ou estrangeiros em 2003, quando da Conferência de Cancún e da criação do G-20. Depois de duas crises financeiras mundiais, de mudanças decisivas no equilíbrio entre as potências do Norte e do Sul e do início de uma guerra cambial, comercial e financeira aberta entre as potências, tornou-se uma atitude ainda mais fora de tempo e de lugar.

Os EUA cancelaram sem hesitar a concorrência na qual a Embraer venceu dois fornecedores locais, Sierra Nevada Corporation e Hawker Beechcraft, para vender 20 aviões de treinamento e contrainsurgência (Supertucanos) ao seu exército. A própria Alemanha, cuja primeira-ministra Angela Merkel criticou o protecionismo brasileiro durante a visita da presidenta Dilma Rousseff, adotou 82 medidas protecionistas desde setembro de 2008, enquanto os EUA tomaram 106, a Índia 101 e a China 94. E o Brasil? Aprovou 80, o que não é nada de extraordinário no atual estado conturbado do mercado internacional.

*Leia matéria completa na Edição 688 de CartaCapital, já nas bancas

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