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Dilma no ataque

por Willian Vieira — publicado 28/01/2013 10h35, última modificação 28/01/2013 10h35
Em discurso inédito em cadeia nacional, ela revida os costumazes boatos e insinuações da mídia nacional e reafirma o cerne de sua política energética

Foi uma presidenta sorridente que surgiu nas tevês de todo o Brasil na noite da quarta-feira 23, disposta a encerrar de vez a gritaria a respeito do suposto racionamento de energia elétrica e as dúvidas sobre os cortes na tarifa. Dilma Rousseff adentrou os lares do País, em um raro pronunciamento em cadeia nacional, para anunciar “uma forte redução na conta de luz de todos os brasileiros”. A partir da quinta-feira 24 (e não apenas em fevereiro), passaria a vigorar uma redução de 18% na tarifa de energia para os consumidores residenciais e de até 32% para o comércio e a indústria, corte maior do que o anunciado em setembro, de 16,2% e 28%, respectivamente. “É a primeira vez que isso ocorre no Brasil”, frisou. Mas o recado era voltado, antes de tudo, a certos brasileiros: os figurões do mercado de energia com eco garantido na mídia, que não só anunciaram o fracasso da redução das tarifas, mas também previram um apocalíptico racionamento e um possível apagão.

Erraram, foi a mensagem aguerrida disfarçada pelo delicado tailleur cor-de-rosa. “Surpreende que, desde o mês passado, algumas pessoas, por precipitação, desinformação ou algum outro motivo, tenham feito previsões sem fundamento, quando os níveis dos reservatórios baixaram e as térmicas foram normalmente acionadas”, ironizou a presidenta no discurso de pouco mais de oito minutos. “Como era de se esperar, essas previsões fracassaram.” Dilma alfinetou: “Cometeram o mesmo erro de previsão os que diziam, primeiro, que o governo não conseguiria baixar a conta de luz”. A redução iria tardar, insinuaram depois. Ou seria menor. Os números mostraram o contrário, disse Dilma. “Todos, sem exceção, vão sair ganhando.”

A frase tinha destinatário certo: os que boicotaram a Medida Provisória 579, editada em setembro e cerne da política energética do governo. Focada na redução do custo produtivo, a MP impôs mudanças na renovação de contratos de concessão do setor, promessa da ex-ministra de Minas e Energia. Seria a vez de as concessionárias, após anos a lucrar com a privatização atabalhoada de Fernando Henrique Cardoso, fazerem a sua parte. Desde então, uma escalada de notícias negativas passou a pipocar. Criticaram-se os gastos bilionários do Tesouro e a redução na arrecadação de ICMS pelos estados, alguns dos quais controladores de empresas de geração, transmissão e distribuição, como a Cemig em Minas Gerais e a Cesp paulista. As duas não aderiram à proposta. Os jornais fizeram coro: seria importante baixar custos, mas não “atropelando os atores envolvidos”. Bradaram pela continuação do status quo, “como se fosse normal o Brasil cobrar a segunda tarifa mais alta do mundo mesmo tendo a geração mais baixa do planeta”, como bem resumiu o deputado Jilmar Tatto (PT), presidente da comissão da MP 579.

*Leia matéria completa na Edição 733 de CartaCapital, já nas bancas

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