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De matuto a mito

por Redação Carta Capital — publicado 07/12/2012 11h09, última modificação 07/12/2012 11h09
As invenções de Luiz Gonzaga, o artista que recriou a música popular brasileira e cujo centenário de nascimento é comemorado como celebração cultural
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Luiz Gonzaga, o Rei do Baião

Por Tárik de Souza

É difícil encontrar paralelo para a celebração cultural do centenário de nascimento do “rei do baião”, Luiz Gonzaga do Nascimento (1912-1989), a ser lembrado na quinta-feira 13. Ainda em fevereiro, a Unidos da Tijuca vencia a disputa do primeiro grupo do carnaval carioca com o enredo O Dia em que a Realeza Desembarcou na Avenida para Coroar o Rei Luiz do Sertão. Foram lançados um filme (De Pai pra Filho, de Breno Silveira), uma peça de teatro (Gonzagão, A lenda, de João Falcão), CDs com coletâneas, reedições e tributos como os de Genival Lacerda (Canta Luiz Gonzaga no Balanço do Forró), Jorge de Altinho (100 Anos de Gonzagão), grupo Falamansa (As Sanfonas do Rei), Mateus Sartori e Guilherme Ribeiro (Que se Deseja Rever), o álbum triplo 100 Anos de Gonzagão, com 50 regravações inéditas, e a montagem Baião de Dois, duetos reais ou virtuais de Gonzaga. E ainda shows como Danado de Bom, em janeiro, no Auditório Ibirapuera (a ser editado em DVD), com Nina Becker, Tulipa Ruiz, Lulina, Passo Torto, Pipo Pegoraro, Dan Nagakawa, Blubell e Joquinha Gonzaga, sobrinho do homenageado, e programas de tevê (como a série de quatro episódios no Fantástico), um mutirão espontâneo capaz de atestar a profundidade da permanência de sua arte no País desmemoriado.
Tal exceção encerra diversos motivos. A começar pela multiplicidade de talentos do negro pernambucano da cidade de Exu, semianalfabeto, cuja carreira foi iniciada como sanfoneiro na zona do meretrício do Mangue, no Rio de Janeiro, nos anos 1940. Tanto ali quanto nas rádios e nos primeiros discos, ele começou pelos modismos, embora demonstrasse caligrafia pessoal na execução de ­Valsas ­(incluindo Queixumes, de Noel Rosa) e Choros, até de Ernesto Nazareth (Apanhei-te, cavaquinho e Brejeiro). Mas o inquieto compositor também se infiltrava em próprias Polcas (Apitando na Curva, Fuga da África), valsas (Luar do Nordeste, Vanda) e Choros (Arrancando Caroá, Sanfonando), cujas partituras seduziram o violinista Ricardo Herz e o sanfoneiro Samuca, dois outros protagonistas do show Danado de Bom. Eles preparam um disco sobre essa face menos estudada de Gonzaga.
O Instituto Moreira Salles lança no sábado 15, no CCBB do Rio, o livro de partituras Luiz Gonzaga: Tem sanfona no choro, com um CD instrumental, organizado pelo músico e pesquisador Marcelo Caldi, que garimpou os discos de Gonzaga antes do estouro do baião, entre 1941 e 1946. “Os choros dele para a sanfona têm a mesma importância que as músicas de Pixinguinha na flauta, de Ernesto Nazareth para piano, de Waldir Azevedo para o cavaquinho e de Jacob Bittencourt para o bandolim”, avalia Caldi. O IMS ainda colocará no ar um hotsite dedicado a essa fase da carreira de Gonzaga e um documentário em áudio da Rádio Batuta.
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