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Data vênia, eminências

por Cynara Menezes — publicado 06/09/2012 11h51, última modificação 06/09/2012 11h51
Advogados renomados e regiamente pagos sofrem derrotas acachapantes no Supremo Tribunal
Bastos

Estrelas-cadentes. Os ex-ministros MárcioThomaz Bastos e José Carlos Dias perderam. Foto: Ed Ferreira/AE

Uma funda ironia ronda o julgamento do chamado “mensalão”: a se confirmarem as previsões de que a grande maioria dos réus será condenada, os medalhões do Direito no País, entre eles dois ex-ministros da Justiça, estão prestes a sofrer uma derrota clamorosa, enquanto um defensor público é até agora o único vitorioso. Em vez de o “mais atrevido e mais escandaloso caso de corrupção”, como classificou o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o que se desenha é a mais acachapante e mais estrondosa derrota de advogados célebres da história do Brasil.
A iminência da derrota não é admitida nas palavras, mas está estampada no semblante dos defensores. No começo do julgamento, em 2 de agosto, parecia dia de volta às aulas no colégio. Os assentos reservados aos advogados estavam tão lotados que o Supremo Tribunal Federal teve de providenciar cadeiras extras para abrigar todos, togas e sapatos tinindo de novos. Foi só começarem as primeiras condenações para surgirem os cabuladores. Na quarta-feira 5, havia apenas oito advogados presentes dos mais de 40 envolvidos no julgamento, sem contar os auxiliares.
No princípio também eram comuns os jantares no restaurante Piantella, o reduto dos políticos na capital, de propriedade do multifacetado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, defensor de um leque de clientes que vai do publicitário Duda Mendonça, réu do mensalão, à atriz Carolina Dieckman. Na segunda-feira seguinte à abertura das sessões, alguns advogados chegaram a se reunir no Piantella para comemorar as boas performances que tiveram, em sua própria opinião, nas sustentações orais. Assistiram juntos ao Jornal Nacional no piano-bar contíguo. Ao final da noitada, foram brindados com a presença do senador cassado Demóstenes Torres, que cantou Let Me Try Again, de Frank Sinatra, e foi consolado por alguns dos eminentes causídicos.
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