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As falhas da engrenagem

por Redação Carta Capital — publicado 22/02/2013 11h16, última modificação 22/02/2013 11h16
É decisivo destravar o investimento para acelerar a inclusão social e espantar o dragão da inflação

Por Luiz Antonio Cintra e Luiz Sérgio Guimarães

Variável-chave da economia brasileira neste início de ano, o investimento produtivo patina com ligeiro viés de baixa. É tudo o que o Planalto não gostaria que acontecesse. Diante da escassez de dinheiro injetado na produção, a oferta de manufaturados é insuficiente para abastecer, sem gerar inflação, o prato da balança mais incentivado pelo governo nos últimos anos, o do consumo. Pelos riscos envolvidos, desfazer o nó do investimento virou questão de honra para a política econômica. E motivo de tensão nos gabinetes ministeriais, incluído o Banco Central.

Os números não deixam dúvidas. A taxa de investimento, registrada pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), medida dos dispêndios em máquinas, equipamentos e construção civil, caiu sem trégua nos cinco trimestres terminados em setembro passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado oficial sobre o último trimestre de 2012 não foi divulgado, mas se sabe que virá negativo. Os especialistas estimam uma queda na produção de até 1%. O índice do IBGE mais recente segue abaixo do nível de 2009 a 2011. No longo prazo, a tendência também é negativa. Chegou a 19,5% do PIB em 2010, o melhor resultado da série iniciada em 1995, desceu a 19,3% no ano seguinte e fechou em 18,4% no fim do terceiro trimestre de 2012. Um desempenho lamentável. O sinal inequívoco da fase ruim para a produção industrial, a despeito do consumo, é que ainda é mais lucrativo importar manufaturados em vez de fabricá-los aqui.

Velha conhecida dos especialistas, a competitividade reduzida da indústria instalada no País fez o Brasil perder espaço internacional. Entre 2005 e 2011, a fatia das exportações de manufaturados made in Brazil encolheu de 0,85% para 0,73% do total comercializado no mundo. Em sentido contrário, as importações foram de 0,72% para 1,3%, segundo pesquisa do Instituto de Desenvolvimento Industrial (Iedi). O déficit comercial dos manufaturados é de cerca de 100 bilhões de dólares anuais.

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