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Agente 86, S/C Limitada

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 02/03/2012 12h53, última modificação 02/03/2012 12h53
Novo vazamento expõe o setor da espionagem privada, cujos agentes são tão trapalhões quanto os estatais
Wikileaks

Sugestão. Friedman estaria bem mais informado se ligasse para os agentes 86 e 99. Foto: Photo 12 / AFP

Em 27 de fevereiro, Julian Assange anunciou que 5 milhões de e-mails do Stratfor datados de julho de 2004 a dezembro de 2011, incluindo informações sobre clientes, trocas de memorandos entre funcionários e documentos internos sobre procedimentos, chegaram às mãos da organização WikiLeaks e esta os divulgará a determinados jornais e revistas de sua escolha. Até agora, apenas algumas centenas de mensagens vieram a público.

Os dados foram surrupiados na véspera do Natal de 2011 pelo grupo Anonymous, que disse também ter usado dados de cartões de crédito dos clientes da Stratfor para fazer doações a organizações de caridade. Mas o mais embaraçoso, para uma empresa privada de espionagem, foi ver sua segurança violada com tanta facilidade. Segundo os hackers, as senhas não estavam criptografadas e em muitos casos eram simplesmente o nome da companhia. Os Agentes 86 da iniciativa privada não são mais competentes que os estatais.

A Stratfor (Strategic Forecasting, Inc.) é um produto da onda privatista dos anos 1990. Como “empresa de inteligência global”, fundada em 1996 pelo politologista texano George Fried-man, faz o tipo de coleta e análise de informações delicadas que tradicionalmente foi monopólio de organizações estatais como a CIA, a KGB e o MI6, muitas vezes com os mesmos métodos, para vender o serviço a empresas e governos.

Evgeny Morozov, um autor bielo-russo conhecido por suas críticas à fé ingênua no poder da internet para promover a liberdade e o esclarecimento, menosprezou o feito no Twitter: “O WikiLeaks é a Amy Winehouse do ativismo na internet. É insuportável assistir a essa autodestruição pública. Que jornalista que se preze iria a uma coletiva de imprensa do WikiLeaks sobre os e-mails da Stratfor? Não têm guerras para cobrir? É notícia que funcionários públicos falem à mídia e a organizações de pesquisa? Essa manobra toda não passa de relações públicas grátis para os hackers. Por outro lado, faz sentido se a nova meta de Julian Assange for eleger-se presidente do Anonymous”.

*Leia matéria completa na Edição 687 de CartaCapital, já nas bancas

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