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Abatido no nascedouro?

por Leandro Fortes — publicado 23/11/2012 11h09, última modificação 23/11/2012 11h09
O relatório de Odair Cunha pede o indiciamento de Policarpo Jr., da Veja, e de Marconi Perillo, mas corre o risco de ser rejeitado
Cachoeira

Simultâneo. Cachoeira foi solto no mesmo dia que Cunha protocolou seu relatório. Foto: André Coelho / Ag. O Globo

Não se sabe se é covardia, despreparo ou a soma dos dois. O fato é que, na noite da quinta-feira 22, quando esta reportagem era finalizada, a primeira versão do relatório da CPI do Cachoeira parecia seguir direto para a máquina de picotar papéis, sob o olhar impotente e o silêncio cúmplice da maioria da bancada governista e de parte substancial do PT. Contra o trabalho do deputado petista Odair Cunha pôs-se em marcha o exército habitual: a mídia em peso, interessada em proteger um jornalista que serviu ao crime organizado, e a oposição, irmanada a essa mídia no intuito de proteger os seus. Bastou um dia de massacre, as costumeiras ameaças em editoriais e alguns discursos mais inflamados dos opositores para os petistas colocarem o rabo entre as pernas. Nem mesmo Cunha tinha mais certeza se manteria as principais proposições de seu texto. “Se o plenário não acatar...”, disse de forma desenxabida.

E o que propõe o deputado mineiro? Uma investigação a respeito da leniência do sempre tão ativo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, na investigação das malfeitorias da quadrilha do bicheiro Carlos Cachoeira e de seu associado, o ex-senador Demóstenes Torres. O indiciamento do governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, cujas relações com o esquema são mais do que evidentes. E o igual indiciamento de alguns repórteres enfronhados na sociedade criminosa, destaque para o diretor da sucursal de Veja em Brasília, Policarpo Jr. Um jornalista razoavelmente honesto será capaz de admitir que em outros países a natureza das relações entre Policarpo, o bicheiro e seus arapongas resultaria em punições graves.
Mas estamos no Brasil. E o mais provável é que o relatório de Cunha soçobre antes da quarta 28, quando está prevista a sua leitura após dois adiamentos. O parlamentar chegou a fazer uma mesura à Rede Globo, o grupo de mídia mais empenhado em enterrar as conclusões do relator, sabe-se lá com qual intuito. Na noite da terça-feira 20, antes mesmo de o relatório ser protocolado no Congresso, o Jornal Nacional informou ao País, com exclusividade, detalhes dos principais pontos do texto. As informações foram vazadas diretamente do gabinete de Cunha para a redação da TV Globo em Brasília, uma estratégia tão equivocada quanto inútil. Não houve uma única menção ao pedido de indiciamento de Policarpo Jr. Pior: no dia seguinte o deputado passou a ser tratado pelas Organizações Globo como uma espécie de charlatão a serviço dos “mensaleiros” do PT em busca de vingança contra a “imprensa livre” (pausa para as risadas).
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