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A vingança dos negros

por Eduardo Graça — publicado 11/01/2013 12h44, última modificação 11/01/2013 12h44
Em Django Livre, Quentin Tarantino promove um banho de sangue como libelo contra o racismo e a escravidão
Django-Livre

Em Django Livre, Quentin Tarantino promove um banho de sangue como libelo contra o racismo e a escravidão. Foto: Divulgação

De Nova York

Em meio século de vida, Quentin Tarantino desenvolveu uma paciência de Jó. A cabeleira negra desgrenhada jogada para o lado e as mãos grandes voando de um lado para o outro, como que desconectadas do resto do corpo, oferecem um contraponto à fala cadenciada, quase professoral, com que tenta driblar uma cilada do destino. Seu mais novo filme, Django Livre, a partir de sexta-feira 18 nos cinemas brasileiros, é tão subversivo e contundente quanto violento e profano. Um libelo contra o racismo e a escravidão, mescla o blaxploitation dos anos 1970 com o faroeste espaguete por meio da história do personagem-título, vivido por Jamie Foxx, negro liberto de forma esdrúxula às vésperas da Guerra Civil Americana.

 

 

No que o próprio diretor classifica de “catarse histórica”, o Django negro promove um banho de sangue e destrói sem piedade a casa-grande e seus ocupantes no Sul escravocrata. Pois justamente na manhã em que conversa com a imprensa em um hotel de Manhattan surgem as primeiras notícias sobre o massacre na escola primária de Newtown, Connecticut. Logo se tomaria conhecimento de que 20 crianças e oito adultos teriam sido brutalmente assassinados por um jovem de classe média-alta com problemas mentais. E a fetichização da violência, tema recorrente na trajetória do diretor de Kill Bill e Cães de Aluguel, se instauraria no centro da discussão em torno de um dos filmes mais importantes produzidos por Hollywood em 2012.

“Meu filme mais violento é Kill Bill. Django é meu filme mais duro, por conta do contexto histórico e do tipo de violência mostrada. Quis abrir duas portas, retratar tanto a brutalidade da escravidão, pouco exposta com todas as tintas no cinema em países marcados a ferro por sua imoralidade, quanto oferecer uma possibilidade de se identificar com a catarse destruidora do protagonista.”

Tarantino não exagera quando fala da dureza que se vê no filme. Para boa parte do elenco, presenciar cenas como as de escravos lutando em uma arena improvisada enquanto os senhores acompanham com gosto para saber quem vai morrer, ou a de um cativo sendo devorado por cães ferozes dá um nó na garganta. “Foi horrível. Mas aquelas não eram histórias novas para mim. As sevícias, as humilhações, a exploração sexual, o que os negros passaram foi tão pior, tão mais intenso que a ideia de que as pessoas vão se chocar me deixa boquiaberto”, diz o protagonista, Jamie Foxx.

*Leia matéria completa na Edição 731 de CartaCapital, já nas bancas

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