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A verdade oculta no telhado

por Rodrigo Martins publicado 14/09/2012 11h29, última modificação 14/09/2012 11h29
Terceiro maior produtor de amianto, o Brasil ignora os malefícios do mineral
amianto

Cenários. Na Itália, os donos da Eternit foram condenados a 16 anos de prisão. Já aqui... Foto: Giuseppe Cacace/AFP

Uma grande marcha em Paris será realizada no dia 13 de outubro para lembrar as vítimas do amianto e pressionar os governos que ainda não proibiram a exploração e o uso do produto a tomar uma atitude. Um dos principais alvos da campanha será o Brasil, terceiro maior produtor mundial do minério, classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no principal grupo de substâncias cancerígenas. Mais de 125 milhões de operários estão expostos ao amianto em todo o mundo, e cerca de 107 mil morrem anualmente em decorrência de doenças associadas às suas nocivas fibras. A França, que abrigará a manifestação, baniu o minério há 16 anos. Outros 65 países seguiram o mesmo caminho. Na lista estão os Estados Unidos, todas as nações da União Europeia, mas também muitas do Hemisfério Sul, inclusive os nossos vizinhos Argentina, Chile e Uruguai.

O amianto (ou asbesto) constitui um grupo de minerais fibrosos amplamente utilizados pela indústria graças às suas notáveis propriedades. O material é um excelente isolante térmico e elétrico, além de resistente à fricção. Não por acaso, é empregado em mais de 3 mil produtos, de material de construção a peças automotivas (freios e juntas de cabeçote). No Brasil, 96,7% do amianto é usado pela indústria de fibrocimento, na fabricação de telhas e caixas d’água. Um lucrativo negócio que movimenta 2,5 bilhões de reais por ano.

A discussão sobre o banimento da substância no Brasil arrasta-se há mais de duas décadas. Atualmente, o Supremo Tribunal Federal analisa quatro ações diretas de inconstitucionalidade (Adin), patrocinadas pela indústria, que visam derrubar as legislações de quatro estados que proibiram a utilização do asbesto. Como observado pelo colunista Claudio Bernabucci na edição 714 de CartaCapital, um estrondoso silêncio acompanhou as duas audiências públicas realizadas na Corte para debater o tema, em 24 e 31 de agosto. “A mídia dedicou pouca ou nenhuma atenção à explosiva questão que, em outros países, tem mobilizado profundamente a sociedade”, pontuou o cientista político formado pela Universidade La Sapienza, de Roma.

*Leia matéria completa na Edição 715 de CartaCapital, já nas bancas