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A maldade lhe cai bem

por Orlando Margarido — publicado 24/02/2012 11h07, última modificação 24/02/2012 11h07
Isabelle Huppert olha o lado sombrio da humanidade, mesmo cativa dele
Captive

Desconforto como opção. A atriz, Thèrése Bourgoine, em Captive, personagem testada até o limite

Sobre sua predileção em trabalhar com Isabelle Huppert, o cineasta francês Claude Chabrol certa vez pontuou uma definição jocosa: “Sua maldade me convém”. Referia-se a uma postura sempre disposta da intérprete em assumir no cinema mulheres de personalidade de alguma maneira conturbada. Chabrol morreu em 2010, o que deu fim a uma parceria de longa data com a atriz, mas a fama prevalece. Outros diretores, poucos, também consumaram uma preferência, caso do alemão Michael Haneke. Huppert acaba de completar seu terceiro filme com ele, Amour. Ela não acredita, porém, que se repetirá a condição fetichista entre um realizador e sua musa como aconteceu com Chabrol. “Eu nunca soube por que ele me amava, mas sei que era assim. Ele me deu várias demonstrações disso com seus filmes”, disse num discurso emocionado durante homenagens no funeral do diretor.

Huppert, 58 anos, desde então cumpre uma rara trajetória de renovação de carreira com filiação a diretores novatos ou em ascensão. O desafio não ocorre propriamente pela escolha do nome, mas se o projeto a impulsiona a algum território de sua vocação que ela desconhece. Foi assim recentemente com Hong Sang-soo, nome do novo cinema coreano já efetivado por prêmios nos principais festivais internacionais. É o caso ainda de Brillante Mendoza, o filipino que tem frequentado com assiduidade Cannes, Veneza e Berlim. Na edição atual desse último, de número 62, encerrado dia 19, ele apresentou Captive, protagonizado pela francesa. Diretor e atriz se conheceram durante o Festival de Cannes, quando Mendoza foi premiado por Kinatay, mas ele a convidou para o filme em São Paulo, durante sua retrospectiva.

Em ambos os projetos, Huppert atende ao perfil de uma estrangeira obrigada a lidar com um universo local. Em Mendoza, ela testa seus limites como a missionária cristã raptada juntamente com um grupo de turistas nas Filipinas pela facção muçulmana radical Abu Sayyaf. A esse episódio real que a partir de 2001 perdurou por quase um ano nas selvas do país, a atriz confere ao personagem coragem e uma boa dose de adaptação para sobreviver.

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