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A II Guerra Cambial

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 05/04/2013 16h07, última modificação 05/04/2013 16h07
A nova rodada de emissão de moeda dos EUA e Japão faz a de 2010 parecer brincadeira. A UE e os BRICS têm razão para se preocupar
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Eixo. Bernanke e Abe abrem as comportas para inundar o mundo com trilhões de dólares e ienes. Fotos: Yuji Saka/ Getty Images e Jason Alden/AFP

A expressão “guerra cambial” foi ironizada quando o ministro Guido Mantega a usou pela primeira vez num foro internacional, a reunião do G-20, em setembro de 2010. Os Estados Unidos preparavam então a segunda rodada de “flexibilização quantitativa” (a primeira foi de novembro de 2008 a março de 2010 e despejou 1,7 trilhão de dólares para salvar Wall Street). Muito da mídia especializada se apegou ao discurso de Washington, segundo o qual o Fed não interferia no câmbio e apenas exercia uma política monetária expansionista para combater a recessão, que a médio prazo seria benéfica para a economia mundial.

O fato foi que a retomada da expansão monetária (que liberou 600 bilhões de dólares de novembro de 2010 a junho de 2011) desvalorizou o dólar em relação a outras moedas (inclusive o real) e foi por esse meio que proporcionou certa recuperação à produção dos EUA, enquanto enfraqueceu alguns de seus concorrentes e forçou alguns países emergentes, inclusive o Brasil, a aumentar a taxação de fluxos cambiais e tomar outras medidas para conter a enxurrada de dólares e a supervalorização de sua moedas. Sem seus efeitos sobre o câmbio, a ação do Fed teria poucos resultados. A simples disponibilidade de moeda não teria bastado para convencer empresas e bancos ressabiados a investir em produção.

Encerrada essa fase, no segundo semestre de 2011 a piora da crise europeia passou ao primeiro plano, a pressão sobre o câmbio foi aliviada e, no Brasil, a defesa contra a guerra cambial cedeu lugar à preocupação com os riscos de aceleração da inflação com a revalorização do dólar.

*Leia matéria completa na Edição 743 de CartaCapital, já nas bancas