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A igualdade aparente

por Orlando Margarido — publicado 03/08/2012 12h04, última modificação 03/08/2012 12h04
Em rara seleção no Centro Cultural Banco do Brasil, obras do Impressionismo colaboram para desfazer a crença de similaridade entre seus artistas
retrato

Retrato do Artista com Fundo Rosa, de Cézanne

Entre os movimentos artísticos, o Impressionismo é um dos poucos a gozarem hoje de popularidade tanto pelo tratamento coletivo como individual. Na primeira forma, espera-se dessa pintura a notória preferência pela paisagem e temas realistas como a natureza-morta, a paleta de cores afins e a execução deduzida à luz do dia, não mais na solidão dos ateliês. Por outro lado, não raro será ver associados a tal empreitada nomes que a efetivaram na história da arte a partir da metade do século XIX, como Claude Monet, Cézanne, Degas e Van Gogh. Mas nem sempre foi assim. À distância segura da eclosão da corrente francesa, críticos e estudiosos se debruçaram sobre as relações e diferenças dos artistas, conferindo-lhes coesão em princípios, mas também personalidade a cada integrante. A distinção permaneceu apenas nos livros quando, em 1986, a França dedicou ao grupo um teto próprio sob o Museu d’Orsay, efetivando seu apelo atraente a multidões e o caráter homogêneo.
É significativo, portanto, que venha da casa parisiense a oportunidade de julgar as aproximações e divergências de estilo dessa produção, numa mostra nunca antes ocorrida em tais proporções na América do Sul. Impressionismo – Paris e a modernidade, obras-primas do acervo do Museu d’Orsay, com abertura no sábado 4 no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo, reúne 85 telas do período, algumas das quais raramente emprestadas ao exterior.
O valor de aferição do título pode variar um tanto num lote dessa magnitude. Mas para além da condição de obras primeiras de um artista, caso válido para O Tocador de Pífano (1867), de Édouard Manet, por exemplo, torna-se elucidativo contemplar o conceito histórico do movimento a partir de seus mentores, como o próprio Manet e Corot, e os nomes emergentes imediatos que, além de Monet, Degas, Renoir e Cézanne, foram também Pissarro e Sisley. Ainda pela mesma vertente é esclarecedor ter a possibilidade de comparar uma tela de representatividade similar àquela que Monet realizou e terminou por batizar o espírito dele e de seus amigos. Em 1872, ele assinou Impressão – Nascer do sol, trabalho que teria levado o crítico e também artista Louis Leroy a cunhar o termo Impressionismo dois anos depois, quando da primeira mostra do grupo no estúdio do fotógrafo Nadar.
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