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A guerra de Assange

por Gianni Carta publicado 01/02/2013 11h28, última modificação 01/02/2013 11h28
Apontado como “terrorista” e “estuprador”, o revolucionário da internet sustenta a necessidade de redefinir a relação de forças entre esta e o Estado

De Londres

Julian assange esclarece o motivo de nossa entrevista: discutir seu livro Cypherpunks: Liberdade e o futuro da internet, a ser lançado pela Boitempo no início de fevereiro, no Brasil. É o que leio no enésimo e-mail do editor-chefe do WikiLeaks, retransmitido pela sua assessora de imprensa em São Paulo para o meu celular. Parece um contrato: Assange sublinha a importância de o repórter (ele cita meu nome e sobrenome) e da revista CartaCapital terem entendido as condições da entrevista.

Na verdade, ao receber mais esse e-mail já estou com Olivia Rutherford, a fotógrafa, em um café a escassos passos da Embaixada do Equador no elegante bairro de Knightsbridge, onde Assange pediu asilo sete meses atrás. Se colocar os pés fora da representação equatoriana, o australiano de 41 anos será imediatamente preso e extraditado à Suécia, onde é acusado de ter abusado sexualmente de duas moças. Assange nega. As relações, diz, foram consensuais. Ele chegou até a propor, através da diplomacia equatoriana, que os procuradores suecos fossem interrogá-lo na embaixada. Mas, por “circunstâncias” não especificadas por uma magistrada de Estocolmo, o julgamento – no qual, diga-se, Assange não foi indiciado – deve ocorrer em solo sueco.

O temor bastante compreensível do fundador do WikiLeaks seria uma segunda extradição, esta da Suécia para os Estados Unidos, onde querem julgá-lo por espionagem, e, no caso, ele poderia ser condenado à pena de morte. O crime de Assange foi ter divulgado documentos militares e diplomáticos através de sua plataforma digital WikiLeaks em parceria com diários de renome como o The New York Times. Vidas e mais vidas teriam sido colocadas em risco, alegam, embora sem provas, os detratores de Assange. Em abril, meses antes de publicar os comprometedores documentos secretos em meados e no fim de 2010, o WikiLeaks havia adquirido a fama ao divulgar um vídeo no mínimo constrangedor para os EUA. Nele vemos soldados norte-americanos em ação no Iraque atirando de um helicóptero sobre 12 civis desarmados.

*Leia matéria completa na Edição 734 de CartaCapital, já nas bancas

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