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A Grécia posta a ferros

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 24/02/2012 11h06, última modificação 24/02/2012 11h06
O pacote do eurogrupo reduz Atenas a uma colônia e nem assim deve funcionar
Grécia

As contas financeiras não fecham e as políticas, menos. Não há como um governo esvaziado se manter por anos e ninguém sabe o que resultará das eleições de abril. Foto: Louisa Gouliamaki / AFP

Os ministros da Fazenda da Europa viraram a noite da segunda para fechar na manhã da terça-feira gorda o acordo sobre o pacote de resgate da Grécia. Valeu a pena? Dificilmente. Analistas do mercado, segundo o jornal britânico Guardian, classificaram o acordo como o remendo mais caro do mundo. As bolsas europeias caíram e a Fitch rebaixou a nota da dívida grega de CCC para C, o que sinaliza “moratória altamente provável a curto prazo”.

O resultado é pior para os gregos do que o previsto. O desconto nos bônus de dívida em mãos de credores privados (cerca de 200 bilhões de euros) será de 53,5%, em vez dos 68% que foram cogitados, e os termos do pacote preveem, com muito otimismo, que 95% desses credores aceitarão esses termos. O juro seria reduzido a 2% de 2012 a 2015 e 3% de 2015 a 2020. Em 1º de março, os ministros voltarão a se reunir para avaliar se a Grécia aplicou as medidas necessárias e a decisão então tomada pela cúpula de chefes de governo no dia seguinte. Depois disso, terá de ser ratificada pelos Parlamentos europeus, alguns dos quais – notadamente o da Holanda – resistem à ideia.

Seria a maior reestruturação de dívida já realizada e reduziria em cerca de 150 bilhões de euros o montante a refinanciar até 2020, mas no fim desse prazo o país ainda estará endividado em 120,5% do PIB e os juros voltariam a 4,3%, o que ainda é insustentável. O endividamento era 125% quando a Grécia pediu socorro pela primeira vez, em 2009.

 

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