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A Europa passa pela Grécia

por Gianni Carta publicado 23/11/2012 11h08, última modificação 24/11/2012 10h41
Um país vítima do neoliberalismo, do conservadorismo alemão e da violência dos neonazistas

De Atenas

O cidadão tem apenas 1 euro para pagar pelas frutas que Aggeliki acaba de lhe entregar em um saco plástico. Diz a feirante: “O senhor me paga os 4 euros quando tiver dinheiro”. As condições financeiras de Aggeliki, diga-se, não são muito melhores do que as do cidadão nascido em Bangladesh, um faxineiro de 44 anos. Aos 55 anos e a trabalhar no mercado de Ferameikos, no centro de Atenas, a feirante oriunda de Corinto, cidade na periferia do Peloponeso, chegou no trabalho às 5 da manhã e até agora, meio-dia, faturou menos de 20 euros. Dois anos atrás, ganhava cerca de 80% a mais do que hoje. Aggeliki vive com o marido desempregado e três filhos, de 22 a 28 anos, todos com diplomas universitários, e, como o pai, em busca de trabalho.

“Eles aceitam qualquer emprego, nem precisa ser da área deles, porque não temos aquecimento em casa e falta comida”, diz Aggeliki. Ela sofre de dores de cabeça terríveis, mas quando foi ao hospital diagnosticaram um problema psicossomático. Uma senhora, de passagem, oferece uma nota de 5 euros para o faxineiro de Bangladesh. Ele hesita, mas a senhora insiste. Ele troca a nota por 5 moedas de 1 euro e paga a dívida com Aggeliki. No entanto, nem todos os gregos são solidários.

Na verdade, em certos bairros de Atenas sente-se o cheiro do medo da legenda nazista Aurora Dourada (Chryssi Avgui), a terceira mais votada nas legislativas de junho. Um de seus políticos, o parlamentar Ilias Kasidiaris, agrediu fisicamente duas políticas em um programa de tevê. Kasidiaris, como vários colegas da Aurora Dourada, tem enormes bíceps e, vaidoso, usa-os não somente para bater em mulheres. Quando pode, como o fez após uma maratona, tuíta sua imagem de torso nu e pelos diligentemente raspados.

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