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A crise dos improvisos

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 26/10/2012 12h53, última modificação 26/10/2012 12h53
As soluções de emergência funcionaram razoavelmente até 2011, mas podem ter chegado ao limite
argentina

Acabou a magia? Crescimento baixo e inflação alta aumentam os protestos contra Kirchner. Foto: Patricio Murphy/ Brazil Photo Press/ AFP

A enxurrada de notícias negativas sobre a Argentina responde à realidade econômica ou ao acirramento de conflitos com interesses transnacionais e conservadores, principalmente aqueles relacionados à reestatização da YPF (que afeta a Repsol e o sistema financeiro espanhol) e à Lei de Mídia (que impõe o desmembramento do Grupo Clarín até 7 de dezembro e põe limites a outros grupos privados)? Ambas as coisas.

Um problema objetivo e agudo é a escassez interna de divisas, que levou o governo argentino a impor restrições às importações e ao câmbio que não eram vistas desde a abertura neoliberal dos anos 1980 e afetam o dia a dia das empresas, da classe média (acostumada a poupar em dólares) e até de governos locais. Exemplo disso foi o recente semicalote da província do Chaco, que, por não dispor de moeda estrangeira para um vencimento de juros de meros 250 mil dólares, pagou-os em pesos, em 3 de outubro, ao câmbio oficial, 30% abaixo do paralelo. Apesar do valor relativamente insignificante, o incidente fez agências internacionais alertarem sobre o risco da Argentina e de suas empresas.

Na véspera, o navio-escola argentino ­Libertad, construído nos anos 1960, tinha sido arrestado no porto de Tema, perto da capital de Gana, por ordem de um juiz local a pedido de um “fundo abutre” dos EUA, um dos que compraram a preço irrisório títulos da dívida afetada pelo calote de 2001 para tentar extorquir lucro por vias judiciais. Talvez mais grave que a possível perda do navio é a suspeita de uma sabotagem interna ao governo. Horacio Verbitsky, jornalista do Página/12, demonstrou com documentos que o itinerário do navio foi alterado da Nigéria (onde a Argentina tem embaixada) para Gana (onde não a tem) por ordem do ministro da Defesa e do comandante da Marinha com o pretexto de “instabilidade” no primeiro país, embora esta se refira a atentados no interior. Era política não enviar o navio a países sem embaixadas, pela dificuldade de prever e prevenir tais incidentes, e o vice-chanceler recomendara que o navio não saísse do âmbito da Unasul. O comandante da Marinha, almirante Carlos Paz, e a diretora de inteligência militar, Lourdes Puente Olivera, foram afastados. A segunda, de acordo com o jornalista, tem conexões com setores anti-kirchneristas e interesses transnacionais dos EUA e da Europa.

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