Você está aqui: Página Inicial / Destaques CartaCapital / A arte da devoração

Destaques CartaCapital

Newsletter

A arte da devoração

por Redação Carta Capital — publicado 23/11/2012 11h12, última modificação 23/11/2012 11h12
A fervilhante Cibele Forjaz enaltece a safra paulistana de peças e prepara uma feijoada macunaímica
plural

"Nem na Alemanha se vê tanta fermentação como no teatro paulista. É uma primavera no asfalto". Foto: Caca Bernardes

Por Álvaro Machado

O celular vibrou algumas vezes sobre a mesa do apartamento encravado no perímetro central paulistano e foi ignorado, mas em seguida o aparelho fixo logra interromper a entrevista. Do outro lado, representante de importante prêmio tea­tral ouve a recusa da diretora e iluminadora Cibele Forjaz. “Desta vez não, obrigada, prefiro ficar do lado da criação artística do que julgar companheiros.” A frase não é só um argumento polido. A encenadora de 46 anos exercita o ofício desde os 16, ganhou todos os prêmios possíveis e precisa esforçar-se para nomear artistas com os quais não trabalhou no teatro comercial, nos grupos experimentais ou na ópera.



Num meio eivado
de vaidades, ela representa rara unanimidade de estima e é continuamente requisitada, mas interrompe neste mês sua atividade de “formiga dos palcos”, imagem recorrente na mídia e entre amigos, também devido ao seu 1,46 metro de altura, para iniciar “dura abstinência de quatro meses de direção”. O objetivo é terminar a tese de doutorado “A linguagem da iluminação teatral”, que resume estudos iniciados à época em que juntou direção ao design de luz, no batismo de fogo proporcionado pelo convite da atriz e bailarina Marilena Ansaldi, no espetáculo A Paixão Segundo G.H. (1989).
A maturidade profissional também chegou de maneira precoce, há 12 anos, com a formação de sua Cia. Livre, ganhadora de prêmios Shell em várias categorias, e, sobretudo, com a carreira docente (iluminação e direção) na Escola de Comunicação e Artes da USP, desde 2002. “Como dizia um colega, eu pertenço à ‘geração Hamlet’, cujo pai foi assassinado, mas que, diferentemente da peça, nem sequer teve um padrasto ao qual destinar sua vingança. Ao ensinar, assumo meu papel restaurador nessa cadeia de conhecimentos interrompida de maneira violenta.”
*Leia matéria completa na Edição 725 de CartaCapital, já nas bancas