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Cultura

19/04/2015

Mostra contextualiza obra de Arthur Bispo do Rosário

Mostra contextualiza obra de Arthur Bispo do Rosário

A Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, reúne 150 obras do artista sergipano

18/04/2015

Parlamentares versus parentes

Parlamentares versus parentes

Brasília, 16 de abril de 2015, terceiro dia de Mobilização Nacional Indígena no 11º Acampamento Terra Livre. É hora de mais de 500 indígenas se pintarem para a guerra, descerem até o poder legislativo da República e ocuparem o Congresso Nacional, organizados em fila indiana para passar pelo cordão de isolamento da Polícia Legislativa. E lá vou eu de novo, junto com esse povo que (não) sou eu, pisar naquele chão de elite branca que (não) é meu. Rompido o cordão de isolamento, a rampa do Congresso Nacional é do povo indígena – o que valeu apenas para aqueles que tivessem nome e sobrenome passados à Câmara pela organização da Mobilização Nacional Indígena. Como a provar que todo dia é dia de demagogia nas duas casas legislativas do Brasil, deputados e senadores são uníssonos em comemorar e homenagear o Dia Nacional do Índio, o 19 de abril, data solitária paliativa num oceano de 364 outros dias. A Câmara dos Deputados recebe com carinho e reverência o espetáculo multicolorido de “parentes” vindos de avião, ônibus e carro das cinco regiões do Brasil com S. A casa toda se levanta para cantar, em português, o Hino Nacional Brasileiro. Alguns indígenas cantam junto, outros mantêm silêncio (ir)reverente. Assentados nos postos rotineiramente ocupados pelos deputados, @s índi@s batucam a internet dos parentes brancos e produzem a cena espetacular de ocuparem, uma vez na vida, os assentos mais poderosos do país que antigamente era só deles. A Rede Globo e demais emissoras (multi)nacionais ignoram solenemente o espetáculo extraordinário de cores e significados. Enquanto isso, nos subterrâneos, os astutos senhores atualmente liderados pelo peemedebista Eduardo Cunha preparam o bote apelidado PEC 215. Sob a tarja de Proposta de Emenda à Constituição, a 215, esse é o eufemismo ruralista-especulativo para designar o estupro (mais um estupro) que pretende sequestrar do poder executivo para o legislativo (ou seja, para os homens – e algumas mulheres – de Cunha e do também peemedebista Renan Calheiros) a tarefa de (não) demarcar e homologar terras para os habitantes originários do Brasil que foi ficando com Z. (“Parente” é o termo amoroso pelo qual os descendentes indígenas de nosso país se tratam e se reconhecem uns aos outros.) Superstar entre os parentes na sessão matinal na Câmara, a ex-senadora acreana Marina Silva, da (não-)Rede e do (não-)PSB, é estrela maior entre uma constelação de cocares, penas de pássaros e tons não-pálidos de peles humanas. A terceira colocada nas eleições presidenciais de 2014 diz que “não sabia que iria falar”, antes de observar que esta é sua primeira aparição pública desde a campanha e de sacar de um papel apontamentos para um discurso de forte identificação e empatia com os parentes presentes. O discurso é mais brando que o que Marina fez menos de 24 horas antes na plenária pública da tenda de circo do acampamento instalado no gramado da Esplanada dos Ministérios, no qual reafirmou lealdade às causas indígenas, criticou as incoerências político-eleitorais e a política de demarcações da presidenta Dilma Rousseff e afirmou ter se aliado “a uma das candidaturas” do segundo turno de 2014 por causa, entre outras, do compromisso da candidatura em questão em não apoiar a PEC 215. Na Câmara, Marina demonstra que as demarcações diminuíram drasticamente nos governos petista, em comparação aos governos tucanos pré-2003, e troca a ordem dos fatores: não menciona a aliança que fez no segundo turno, mas nomina o tucano Aécio Neves em pessoa, dando conta de um suposto compromisso do senador mineiro com a não-aprovação da PEC anti-indígena pró-ruralista. A demagogia pró-indígena dos congressistas recende a antídoto para a feia cena de dezembro passado, quando a Câmara usou de violência para impedir a entrada dos parente numa sessão da “casa do povo” (leia aqui como a mídia tradicional inverteu a notícia, acusando índios de “invasores” e agressores). Sob os crucifixos católicos que adornam os plenários laicos de Câmara e Senado, agora tudo é paz, todos amam os índios, tudo é festa preparatória para a chegada do 19 de abril. O músico paraibano Chico César toma o microfone para saudar os “parentes” e entoar uma canção provocadora decalcada das epopeias folk do (não)parente do norte Bob Dylan. Pajelanças à parte, o tratamento “diferenciado” se conserva. No início da sessão, mais deputados que índios ocupam as tribunas (onde está a Rede Globo, que ainda não chegou para dar holofotes indigenistas aos representantes do povo?). Mais indígenas que congressistas são relegados às últimas falas. Irredutível diante do dominador, o cacique caiapó (e mato-grossense) Raoni discursa em sua própria língua. ”O homem branco não quer ouvir o que temos a dizer”, lamenta ao microfone um cacique faminto do almoço que começa a tardar. (Na noite de quarta-feira, depois de ouvir Marina discursar, assisti a uma minúscula reportagem da Globo do Distrito Federal sobre a marcha indígena do dia. Não houve nenhuma ínfima menção à PEC 215, menos ainda ao que ela significa. O locutor afirmou que a passeata era a favor da reforma agrária – termo que não ouvi da boca de nenhum indígena nesses dias. A manifestação interrompeu o trânsito, sublinhou a Globo, que, definitivamente, não é – ou não quer ser – parente de ninguém que seja não-branco. Sim, nós somos racistas, sinhozinho.) Os parentes não se mostram convencidos pela encenação parlamentar. Balançam chocalhos (arcos e flechas foram proibidos de entrar), fazem algazarra contra o pretendido estupro à Constituição de 1988, forçam no grito manso os deputados a vestir a camiseta “não à PEC 215″ que trouxeram como presente de índio para branco. ”Veste! Veste! Veste!”, exigem com firmeza inclusive de uma inicialmente hesitante Marina Silva. A parenta que quase foi presidenta acaba por cobrir parte do vestido verde-amarelo-elegante com a camisa que diz ser sua para sempre. O festim demagógico se repete como farsa na parte da tarde, no auditório do Senado. A segunda casa legislativa se revela mais exclusiva, exclusivista, restrita e restritiva que a Câmara. Agora a polícia legislativa não quer permitir nem mesmo a entrada dos chocalhos. Na iminência de ser privados de mais uma parte importante de suas identidades, índias[+] Também já escrevemos sobre: Um rio de urucum flui sobre Brasília 14 de abril de 2015 A marcha dos invisíveis 15 de abril de 2015 Rap tupi-guarani 11 de setembro de 2013 Ecad: a CPI que não acabou em pizza 1 de agosto de 2013

18/04/2015

Vou virar chef

Vou virar chef

Chef moderno, descolado, transado, tem de ter tatuagem e raspar a cabeça

17/04/2015

Juca Ferreira quer que Facebook explique censura na Justiça

Juca Ferreira quer que Facebook explique censura na Justiça

Uma semana após acordo de Dilma e Zuckeberg, ministro ataca rede social por deletar imagem de índios Botocudos de valor histórico

17/04/2015

Bob Marley me pediu dinheiro para a passagem

Bob Marley me pediu dinheiro para a passagem

O britânico Christopher Percy Gordon Blackwell desembarcou na Jamaica e descobriu o reggae. Depois, catapultou Cat Stevens, U2, Tom Waits e outros

17/04/2015

Harry Potter encontra um(a) rival à altura

Harry Potter encontra um(a) rival à altura

Quem tiver saudades do universo fantástico de Hogwarts deve ler Rani e o Sino da Divisão, de Jim Anotsu, cuja protagonista é uma garota negra de quinze anos subitamente promovida a xamã.

17/04/2015

Masp, o museu das luzes

Masp, o museu das luzes

A arte brasileira do século XX é exibida no Masp de modo a recuperar as ideias do fundador Pietro Maria Bardi

17/04/2015

Para além da área gourmet

Para além da área gourmet

Tempo útil equivale a espaços escassos. É o que nos impede de ver beleza onde sobra e de implementá-la onde falta. Não é só um dilema urbanístico, mas humano

16/04/2015

Quem afundará primeiro: a imprensa ou a política?

Quem afundará primeiro: a imprensa ou a política?

A crise de legitimidade da imprensa é medida em números. Metade dos leitores de Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo, os três maiores jornais do país, e metade dos telespectadores do Jornal Nacional, da TV Globo, nunca ou poucas vezes confiam no noticiário apresentado diariamente. E 54% dos leitores da revista Veja desconfiam das páginas publicadas. Os dados são da Pesquisa Brasileira de Mídia (PBM), da Presidência da República, o estudo de recepção mais abrangente e representativo da população já realizado. Esses são, na verdade, os números otimistas, o meio copo cheio da história. Um estudo coordenado por Pablo Ortellado (USP) e Esther Solano (Unifesp) aponta que a imprensa não goza da confiança dos manifestantes que foram à Avenida Paulista, em 12 de abril, protestar contra o governo Dilma Rousseff. Nada menos que 78,6% dos pesquisados disseram não confiar na imprensa. O Jornal Nacional (O Globo ficou de fora) teve a pior reputação entre esse público: Nas duas últimas semanas, Veja, Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo promoveram cortes em massa de jornalistas. A principal justificativa é a perda de arrecadação publicitária – com a queda de anúncios, manter uma folha de salários elevada das redações se torna insustentável. Mas o problema está ligado muito mais à crise de legitimidade apontada acima – as vítimas, contudo, foram os colegas que tiveram seus empregos ceifados da noite para o dia. O jornalista Ricardo Kotscho, em aula magna na Universidade Metodista, no último dia 16 de março, resumiu o tamanho da encrenca do jornalismo: “Criou-se imenso abismo entre a imprensa e o país, um cada vez mais distante do outro, vivendo realidades completamente diferentes.” Naquele dia, Kotscho lembrou, ainda, da fala da então presidente da Associação Nacional dos Jornais, Judith Brito, para quem a grande imprensa teria assumido a liderança da oposição, gerando o desequilíbrio na relação dos poderes. Questão de ordem: se nem mesmo quem mais deseja que Dilma seja despachada do Palácio do Planalto confia na imprensa, que é quem hoje a principal atiçadora do discurso crítico ao governo, o que esses principais veículos de comunicação podem fazer para sair da armadilha que criaram contra si? A política já está afundando, mas arrastará com ela a imprensa? Observando os microdados da PBM de 2014 (os de 2015 ainda não foram liberados), uma constatação se destaca. A desconfiança dos três principais jornais impressos, do maior telejornal e da revista de maior circulação prevalece sobre a confiança que depositam na imprensa entre as pessoas de renda familiar superior a R$ 6.780,01. (A PBM entrevistou mais de 18 mil brasileiros para saber os hábitos de consumo de mídia. Cerca de 80% das pessoas se informam primeiro pela televisão, 12,9% pela internet, 6,2% pelo rádio, 1,9% pelos jornais e 0,4% pelas revistas impressas. Para as comparações acima, foram examinadas as respostas de 3.661 entrevistados pela PBM que indicaram Folha de S.Paulo, O Globo, O Estado de S.Paulo, Veja e Jornal Nacional como suas principais fontes de informação.) Alunos de jornalismo me questionam aflitos sobre o que vai ser o futuro da profissão, e só posso lhes dizer para resistirem. Costumo devolver esse drama com perguntas como: Quantos leem jornais e revistas ou assistem o noticiário televisivo? Quanto horas por dia dedicam para se informar pelos meios tradicionais, um jornal, por exemplo? Menos de 30 minutos, respondem alguns. E quanto tempo ficam no Facebook ou em outras redes sociais? Dizem o dia todo, mas procuro ser mais criterioso. O quanto ficam interagindo, lendo links compartilhados e vendo vídeos na plataforma? Reduzem para algo entre 3 e 4 horas por dia. New York Times, National Geographic e Buzzfeed estão fechando acordos com o Facebook para publicarem diretamente suas reportagens como posts. É um caminho natural quando a montanha não vai a Maomé. Pode ser uma saída para a imprensa brasileira, embora nem lá fora a mídia americana deposita todas suas moedas nesse cofrinho. Só que não é fazendo jornalismo-postagem que se encherá a outra metade do copo. É preciso retomar a credibilidade do jornalismo, um ingrediente visivelmente em falta para leitores, ouvintes e telespectadores. Na quarta-feira, vi no Twitter que o Jornal Nacional tinha uma audiência na casa dos 22% na Grande São Paulo. Já foi de 40 pontos, uma década atrás. A soma das novelas Chiquitita (SBT), Os Dez Mandamentos (Record) e Mil e Uma Noites (Bandeirantes), exibidas no mesmo horário, supera a audiência do maior telejornal da Globo. O público tem feito suas escolhas. Também já escrevemos sobre: Cada vez mais educados 14 de maio de 2014 Entre tapas e beijos 30 de outubro de 2013 #JornalistasLivres 13 de março de 2015 15 de março de 2015, dia da mentira 16 de março de 2015

16/04/2015

Judith

Judith

O dia em que não conheci, apenas vi, uma mulher revolucionária

16/04/2015

Mad Men: Don Draper morreu

Mad Men: Don Draper morreu

A propaganda aprecia o talento individual, mas hoje dispensa o brilhareco dos geniozinhos. Melhor assim

15/04/2015

A marcha dos invisíveis

A marcha dos invisíveis

O Palácio do Planalto é o próximo alvo. No segundo dia da 11ª edição do Acampamento Terra Livre, cerca de 1.500 indígenas de Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil desfilam pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília, desta vez tentando atrair a atenção da presidenta Dilma Rousseff para sua causa. Ontem, o cerco da Polícia Militar se fechou sobre o Supremo Tribunal Federal, quando o poder judiciário esteve na mira simbólica das flechas reais dos arqueiros da Mobilização Nacional Indígena. Hoje, PM e Polícia Legislativa (essa postada ostensivamente diante dos vários acessos à cúpula da Câmara Federal) amedrontam brasileir@s originári@s ostentando cassetetes, armas de fogo, capacetes, escudos, a parafernália toda. Diante do Palácio do Itamaraty, motocicletas cyborg da PM fazem evoluções mirabolantes em meio a arqueiros, caciques, pajés, cunhatãs e curumins. Nesta passeata, ninguém tira selfie com polícia — longe disso. Um cacique de meia idade se coloca à frente de um policial supermotorizado que tenta entrar no cortejo. O cacique repete para o policial uma única palavra: “Respeito! Respeito! Respeito!”. O cacique avança, munido apenas da palavra “respeito”. O policial hesita, depois recua, dá meia volta com a moto e segue por outro caminho. As cenas de harmonia de ontem se repetem hoje. A falta de interesse por parte da mídia tradicional também. Os gritos de “não à PEC 215” (proposta de emenda constitucional que almeja transferir a responsabilidade pelas demarcações de terras indígenas do poder executivo para o legislativo) não parecem ser ouvidos por ninguém, a não ser por aqueles que gritam. Repito o script, em paródia à ladainha da Globo em dia de marchas reacionárias: a manifestação é pacífica, não há vândalos nem vandalismo, os militantes evoluem em pique de celebração, há dança, canto, festa. Famílias inteiras marcham juntas, casais de idosos de mãos dadas, adolescentes pintados de “não à PEC 215”, muitas mães de pele queimada que amamentam seus bebês de peito aberto enquanto passeiam, militam, mobilizam, conhecem a capital do país que inventaram. A amamentação livre é direito de mães e de bebês no Brasil — é? O carro de som, um trio axé hoje movido pelas mais belas canções, cânticos e cantos indígenas, anuncia a presença das várias tribos e etnias — e são tantas, tantas, todas (ou quase), cada uma bem marcada em suas características distintivas. Ensaio uma transmissão ninja ao vivo, conversando com tupinambás, pataxós, xucurus, araras, guaranis-kaiowás, uma índia loira do Ceará, brasileir@s interioranos de Rondônia, Roraima, Pará, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Paraná. Em roda, os índios do Rio Grande do Sul tomam chimarrão e me fazem lembrar de meus falecidos país, uma gaúcha de Flores da Cunha e um catarinense da margem do rio Uruguai. Hoje, mais um grupo vem se somar à passeata que avança para a Praça dos Três Poderes. No final do cortejo multicolorido, a marcha se tinge de vermelho (estamos em pleno #AbrilVermelho), com os militantes da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade. Ou seja, reúnem-se aos indígenas os sem-teto das cidades e os sem-terra dos campos — todos irmãos, todos juntos & misturados, como diriam outros irmãos, os rappers da Central Única das Favelas. Chegamos, os deserdados, à porta da presidenta. Ela não aparece. Apenas os PMs vêm repetir o cerco formado ontem ao redor do STF, o poder vizinho, judiciário, outro que anda se lançando com garras afiadas sobre direitos supostamente já garantidos pel@s brasileir@s originári@s. A manhã entardece, @s índi@s almoçamos, a pajelança se dirige à frente do poder legislativo, que, lá dentro, recebe uma comissão de 25 lideranças indígenas. Cá fora, o espelho d’água, os furgões da mídia tradicional, os ônibus da PM e os policiais pedestres nos separam dos deputados e senadores que pretendem tomar para eles a função (já paralisada pela presidência) de demarcar as terras indígenas no país. Quem estipulou tais demarcações foi a Constituição Federal de 1988, formulada pela mesma casa que hoje, presidida pelos peemedebistas Renan Calheiros e Eduardo Cunha, pretende confiscar, por intermédio de emenda ao soneto, os direitos adquiridos, mas nunca concretizados em sua totalidade, pela Carta Magna de 27 anos atrás. Não é uma notícia nova nem está nos jornais, rádios e TVs: os direitos básicos estão invisíveis aos povos originários, do mesmo modo como a maioria da sociedade dita organizada (e teleguiada pela mídia multinacional) finge não notar a existência dos indígenas em sua composição. Mas nós estamos aqui, acampados no chão.   (Com fotos de Jardiel Carvalho, do R.U.A Foto Coletivo.)     Também já escrevemos sobre: Um rio de urucum flui sobre Brasília 14 de abril de 2015 Rap tupi-guarani 11 de setembro de 2013 O poder é homem, branco, rico e hétero 5 de maio de 2014 Macapá 27 de novembro de 2013

15/04/2015

Guia Michelin: as estrelas vêm aí

Guia Michelin: as estrelas vêm aí

O famoso guia chega ao Brasil para indicar onde comer com classe – e dinheiro. Vale segui-lo?

15/04/2015

Rock’n'roll é só isso mesmo

Rock’n'roll é só isso mesmo

Jay Buchanan, do Rival Sons, que estará no Monsters of Rock, é um Plant sem filtro. Leia a entrevista. Por Jotabê Medeiros, no Farofafá

15/04/2015

Preto no Branko

Preto no Branko

O produtor e músico português Branko começa turnê com o Buraka Som Sistema, que ajudou a popularizar o estilo angolano kuduro. Por Jotabê Medeiros, no Farofafá

14/04/2015

Um rio de urucum flui sobre Brasília

Um rio de urucum flui sobre Brasília

A 11ª edição da Mobilização Nacional Indígena tem início, mas é ignorada pelas grandes emissoras brasileiras. Por Pedro Alexandre Sanches, no Farofafá

13/04/2015

Günter Grass criou literatura poderosa para defender democracia e combater erros nazistas

Günter Grass criou literatura poderosa para defender democracia e combater erros nazistas

Romancista morto na segunda-feira 13, aos 87 anos, parecia ter como missão alertar a má consciência dos que se esquivaram e se desculparam por seus raramente assumidos pecados de guerra

13/04/2015

Selfies com cachorro, a atração nos protestos

Selfies com cachorro, a atração nos protestos

CRÔNICA Eu sou um cachorro. Não um qualquer, mas um farejador de sangue puro e raça nobre. Para quem é entendido, sou um legítimo Bloodhound. Meu nome é Mike e tenho 3 anos. O sargento Alexandre é meu dono. O cão que veio comigo é o Bardo, um ano mais velho do que eu. Sim, é um pastor alemão. Preciso dizer mais? Ok, ele também é um farejador. Só que especialista em procurar drogas. O dono dele é o cabo Sulkanick. Vou confessar uma coisa a vocês: quando me botaram no carro, só pensei que não fazia o menor sentido vir para a avenida Paulista. Minha tarefa é farejar pessoas. Desaparecidos ou bandidos. Deveria estar dormindo no canil da Polícia Militar. Hoje era minha folga. É a minha primeira vez em manifestações. “O dia está tranquilo”, disse há pouco o sargento Alexandre. Segundo meu dono falava para as pessoas, não vim para farejar nada. Só viemos nos exibir. É para a autopromoção da marca, a Polícia Militar do estado de São Paulo. Dizem que é estratégia de marketing. Os homens da Tropa de Choque, na esquina com a rua Haddock Lobo, estão perfilados e com cara de poucos amigos. Mas o que tem de gente tirando selfies por ali… Os “manifestantes do bem” adoram a Polícia Militar. Descobri isso hoje. Ah, se meus dias fossem todos assim. Hoje não param de passar a mão em mim. Nunca vi tirarem tantas fotos. Ah, não é mais foto, mas selfie? O pessoal não está revoltado? Eu é quem deveria estar revoltado. Já são mais de três horas e só me deram um pouco de água. Tô com fome. E o que tem de cheiro de churrasquinho neste lugar… Nós, cães farejadores, não nos envolvemos em bagunça. Deve ser por isso que viemos para esse protesto. Só tem gente família. Uma repórter da GloboNews falou de mim na televisão. Daí o assédio não parou mais. Agradeço à repórter por me tirar do anonimato. Mas também dei uma ajudinha para a emissora dela. A coitada já não sabia mais o que falar ao vivo. Comentava das pessoas enroladas na bandeira do Brasil, dos pais levando seus filhos, dos cartazes. Quando apareci, foi logo dizendo que eu era uma atração. Meu dono já explicou tantas vezes quem eu sou para essas pessoas que estou querendo subir em um carro de som. Seria um sucesso. Porque ali em cima um monte de gente falava e embaixo ninguém nem dava bola. É sempre assim?   Há pouco, uma mulher berrava em cima de um desses carros. Cobrava as pessoas: “Gente, cadê o grito na garganta?”. Não ouvi ninguém responder. Ela começou a cantar: “Ô, o PT roubou, o PT roubou”. Nada. Aí ela gritou: “O Lulinha limpando cocô dentro do zoológico ficou rico”. Mas o que essa doida sabe do reino animal para dizer essa frase?Se fosse em uma confusão, porta de estádio, greve de metalúrgicos ou professores, os primos do Bardo é que estariam de serviço. Dizem que sou um cão de sangue, mas quer ver sangue nos olhos é com os primos do Bardo. Pior do que eles, só a cavalaria da PM. Hoje, a maioria deles ficou descansando. Os que vieram são bonzinhos. Esses humanos são muito engraçados. Eles saem de suas casas para protestar, trazem cartazes, pintam seus rostos, põem nariz de palhaço e basta verem um cachorro para esquecer suas reivindicações? Quando será a próxima manifestação? No final, adorei.   Também já escrevemos sobre: 15 de março de 2015, dia da mentira 16 de março de 2015 Ninguém entende um punk? 17 de junho de 2013 “A esquerda sai de alma lavada” (*) 14 de março de 2015 Quem tem medo de Joelma? 1 de maio de 2013

13/04/2015

O anjo torto

O anjo torto

Como Garrincha, seu ídolo, Magrão desconcerta os “joões” da vida

11/04/2015

O rap é compromisso, e nunca deixará de ser

O rap é compromisso, e nunca deixará de ser

  Para ver o show Discotecagem Nelson Triunfo e Sabotage, no Sesc Campo Limpo, zona sul de São Paulo, fui com o escritor negro Paulo Rafael. Pegamos um busão na Pompeia, zona oeste, e partimos rumo à estação de trem Cidade Universitária. De lá seguimos até Santo Amaro e fizemos a baldeação para o Campo Limpo na linha Lilás do metrô. Pouco mais de 20 quilômetros de distância e nenhum estresse ao volante. Dois quarteirões depois profissionais negros afinavam o som em uma tenda para o evento Sou Hip Hop. Como eu e Paulo Rafael, veio Itamar, torneiro mecânico, de Ermelino Matarazzo, na zona leste. Queria ver o show e trabalhar o CD de seu grupo “Diário da Vida do Cotidiano”. O torneiro mecânico é vocalista e letrista. O Sou Hip Hop faz parte de uma programação especial do Sesc para homenagear obras que são referências do hip hop nacional e produções da cena contemporânea. Neste dia, os biógrafos Gilberto Yoshinaga e Toni C., que escreveram “Nelson Triunfo, do sertão ao hip hop” e “Sabotage, um bom lugar”, participam de uma roda de conversa antes do show. Sabotage já dizia que o rap é compromisso. E mobilizar, debater e conscientizar sempre fez parte desse compromisso. A conversa gira na roda e Nelson Triunfo, com sua conhecida energia, fala alto que não é esta mídia que eles querem. “Chega de Datena!” Um dos precursores do hip hop no Brasil, Triunfo perdeu a conta de quantas vezes foi preso. Às vezes, até por seu enorme cabelo afro. Agora, aos 60 anos, os dreadlocks estão guardados num gorro com as cores da Jamaica. Alguém do público quer saber o que ele achou da passeata dos que querem o “Fora Dilma”, foi direto ao ponto: “O PT não está lá estas coisas, mas o voto das urnas tem que ser respeitado.” Triunfo é um sociólogo e um griot (termo do vocabulário franco-africano para designar o narrador, cantor, cronista e genealogista que, pela tradição oral, transmite a história de personagens). “Não sou um sociólogo formado na universidade. Gosto de observar e por ter vivido a vida que vivi e também por já ter feito palestras na Alemanha e França sobre o hip hop. Então sou um professor!” Alguém discorda? Quem estava ali presente ouviu uma aula de história contemporânea, sobretudo de um Brasil que nem sempre é retratado nos livros escolares. Triunfo explicou, fazendo um longo rap-repente, a relação da embolada com o hip hop. Uma origem que remonta a Jackson do Pandeiro, cantor e compositor de forró e samba, o autor de “Chiclete com Banana” (“Eu só boto bi-bop no meu samba”). Uma professora que mora na periferia contribui nesse debate com um exemplo próprio. Certa vez, teve dificuldades de mostrar que o hip hop é cultura. A diretora de sua escola chegou a tirar a aparelhagem de som e ela levou o dela para casa. As crianças parecem adorar estar no Sesc Campo Limpo, ouvindo conversa de “gente grande”. Eu, Juvenal Pereira, me apresentei como membro do #JornalistasLivres e que estava ali para fazer uma reportagem. Expliquei que não tínhamos patrões e queremos mostrar um jornalismo na horizontalidade (não visto como uma panorâmica), mas “ali ao níivel do chão”. Fui aplaudido. Yoshinaga e Toni C., os biógrafos dos homenageados, falaram de suas obras, da genialidade dos personagens perfilados e das dificuldades em financiar a produção literária no Brasil. A conversa estava boa, mas era hora de começar a música. A tenda de lona fica pequena para o público. A discotecagem do baile foi comandada por KL Jay (Racionais MC’s) com participações especiais de Rappin Hood e Sandrão RZO. A plateia se envolve no som. Todos. Sonia Marice, moradora do Campo Limpo, era uma delas. Aos 61 anos, não economizava nos elogios: “É um bem estar, traz alegria pra gente.” Rap é compromisso, sim. Saiba mais sobre os Jornalistas Livres #JornalistasLivres em defesa da democracia: cobertura colaborativa; textos e fotos podem ser reproduzidos, desde de que citada a fonte e a autoria. mais textos e fotos em facebook.com/jornalistaslivres. Também já escrevemos sobre: Dez anos sem Sabotage 7 de outubro de 2013 Documentário sobre Sabotage traz cenas inéditas 22 de janeiro de 2015 Mídia índio, mídia perifa, mídia ativista 5 de março de 2015 @s jornalistas estão livres (*) 6 de abril de 2015

O efeito Vaccari

O efeito Vaccari

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