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Visões e diatribes

por Redação Carta Capital — publicado 08/07/2012 08h56, última modificação 08/07/2012 08h56
A história da catadora de lixo Estamira no palco do teatro do Sesc Pompéia
estamira

Entre a lucidez e a loucura. Dani Barros no papel da catadora de lixo Estamira, personagem perturbada e perturbadora

por Álvaro Machado

Estamira - Beira do Mundo
Direção: Beatriz Sayad
Sesc Pompéia, São Paulo
Até 26 de julho

 

Vale a pena entrar na disputa por um dos 48 lugares do novo e ótimo espaço cênico no Sesc Pompéia. Estamira faz jus à fama construída em sua temporada carioca, alicerçada não apenas na carismática figura abordada pelo documentário homônimo de Marcos Prado (2005), mas sustentada, sobretudo, pela técnica e garra da atriz Dani Barros, cuja interpretação lhe rendeu o Prêmio Shell de Melhor Atriz.

A trabalhadora do lixão carioca de Gramacho, no Rio de Janeiro, morta em 2011, era assaltada por visões místicas e diatribes de fundo político dignas de constituir obra literária.

Suas falas a situam numa “linhagem brasileira” de vítimas de contradições sociais com consequências de comportamento esquizofrênico e escape pela expressão artística, como Arthur Bispo do Rosário e vários dos pacientes de Nise da Silveira.

Às alucinações da catadora, Dani somou o histórico de depressão clínica de sua mãe e fragmentos de Artaud, entre outros, para resultado bastante coeso.

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