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Refogado

Virada à paulista

por Marcio Alemão publicado 04/05/2012 11h37, última modificação 04/05/2012 11h37
O outrora grotesco Minhocão receberá chefs laureados a oferecer quitutes a preços módicos
piscina

Quem nada no nosso viaduto nos fins de semana também poderá nadar no piscinão de Ramos, e vice-versa. Ilustração: Ricardo Papp

Até comida da boa teremos na Virada Cultural versão 2012. Estarão todos eles, os chefs famosos e laureados da cidade, ao longo do Minhocão, instalados em barraquinhas, oferecendo quitutes de alta qualidade a preços módicos.

O outrora grotesco e megacriticado Minhocão está se transformando em um dos pontos mais interessantes da cidade. Você que havia tempos não frequentava nossa lindona São Paulo, saiba que os felizardos que circulam pelo o viaduto podem até usufruir de piscinas, durante os fins de semana, claro. Todavia, considerando o insaciável apetite tributário de nossos governantes, vejo próxima a possibilidade de nos cobrarem algum tipo de imposto ou instalarem câmeras para multar quem caminhar acima de determinada velocidade ou jogar muita água fora da piscina.

Não sei exatamente como funciona o piscinão de Ramos, mas ouvi dizer que Gilberto Kassab e Eduardo Paes estão querendo promover uma espécie de intercâmbio. Quem nada no Minhocão poderá nadar em Ramos e vice-versa. E as trocas não pararam por aí. Comenta-se que uma comissão de técnicos do Rio foi especialmente designada para tomar conhecimento da tecnologia empregada pela administração paulistana na instalação de mais de mil banheiros químicos durante o evento. Esse é o número de 2010. Ainda não foram divulgados, pelo menos no site, os novos números. Do jeito que a cidade e a programação cresceram, eu chuto que não começaremos a festa sem ao menos uns 2 mil.

E enquanto a cidade inteira será tomada por todos os tipos de manifestações, incluindo o imperdível Campeonato Sul-Americano de Luta Livre e os geniais stand-ups Rafinha Bastos e Danilo Gentili, entre muitos outros, essa gente que tem contribuído de maneira inefável para alguma coisa. E enquanto você mata sua sede de cultura e saber, a turma do fogão estará trabalhando diuturnamente para saciar sua fome.

Para conhecer toda a programação, acesse viradacultural.org. Tudo está bem explicadinho. E sobre a ideia, não dá para dizer menos do que: ótima!

Uma oportunidade espetacular para os nadadores do Minhocão conhecerem o talento desses chefs premiados. Se irei? Sim! Irei passar longe.

Me leve a mal caso queira, mas eu repito meu bordão: de mim terás sempre a sinceridade. Lembra quando disse que não gostava do cultuado sanduíche de mortadela do Mercadão de São Paulo, assim como o pastel de bacalhau do mesmo local?

Lembra quando falei que odeio pizza gourmet recheada de coisas caras e inúteis para o currículo da pizza? Lembra que já afirmei em muitas dessas páginas que a maioria dos programas longínquos para se comer um salgadinho ou algo exótico não me pegam jamais?

Sou isso. Um cara chato e mal-humorado que padece de ligeira agorafobia e que não irá à Virada Cultural nem para ver a apresentação do Serguei. E olha que deixar de ver McCoy Tyner ou o trombone de Raul de Souza será uma enorme pena.

Não brinco, não quando digo que levar boa comida para a rua merece aplauso.

Não sei como, mas São Paulo deveria ter muito mais disso. Muito mais food trucks espalhados pela cidade, coisa que no mundo civilizado tem e é bacana.

Quem nunca viu, veja o The Great Food Truck Race, que vai ao ar no canal Fox Life.

Resumão: vendem comida de qualidade pelas ruas. Os caminhões são muito bem equipados, o que me leva a crer que existe uma indústria preparada para atender a essa demanda. Porém, mais impressionante ainda é ver que a corrida vai acontecendo por vários estados e cidades e, conquanto a cidade não seja uma metrópole sofisticada, sempre encontram um bom mercado para as compras, e isso me dá uma inveja danada.

Contudo, chegaremos lá e ainda faremos nossa Virada Gastronômica.