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Viagem à invenção

por Orlando Margarido — publicado 08/07/2012 08h36, última modificação 08/07/2012 08h36
Mostra que vai até setembro em SP relembra o pioneiro do cinema Georges Méliès
abrepost

Sonho e magia. O Eclipse, de 1907

Georges Mélès - Mágico do cinema
Museu da Imagem e do Som - São Paulo
4 de julho a 16 de setembro

Numa carta de 1929, Georges Méliès escreveu que se não fossem os enormes esforços de seu pai, um fabricante de sapatos de luxo contrário à carreira de artista do filho, ele provavelmente teria ingressado na Escola de Belas-Artes e se tornado pintor. A história do cinema registra que não foi esse o destino do jovem francês e a partir daí deve-se a sua persistência e decisão em largar os negócios da família muito da origem da arte de filmar. É, portanto, sempre tempo de celebrar Méliès. No ano passado, Cannes exibiu uma cópia restaurada em cores de Viagem à Lua (1902), um de seus filmes referenciais. Também em 2011 Martin Scorsese fez sua homenagem ao pioneiro em A Invenção de Hugo Cabret. Essa memória agora é detalhada na exposição Georges Méliès – Mágico do Cinema.

Vem da Cinemateca Francesa e do espólio sob a guarda da neta Madeleine Malthête-Méliès uma centena de peças, entre cartazes, desenhos, documentos, figurinos, objetos e fotografias, além de 11 filmes, que dão conta da ampla atuação do inventor. O mágico a que se refere o título não é mera expressão. Méliès se interessou pelo ilusionismo e tornou-se ele mesmo um profissional da arte quando em 1895 presenciou a primeira sessão dos irmãos Lumière.

Um ano depois, adaptou as engenhocas que começavam a surgir e estreou seu primeiro filme, baseando-se nos truques que o entusiasmavam para criar efeitos especiais. Com a própria produtora Star realizou mais de 500 títulos. Era comumente ator, cenógrafo, produtor e distribuidor. Na mostra, Viagem à Lua será exibido numa nave espacial projetada para o evento. No dia 15, é a vez de os bisnetos de Méliès, Marie-Hélène e Lawrence Lehérissey, narrarem histórias dos filmes. A renovação artística da família é significativa ao destino desse precursor morto em 1938, aos 76 anos, depois de um declínio que o levou a abrir uma loja de brinquedos na Gare Montparnasse, ponto de partida do filme de Scorsese.