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Válido hoje

por Orlando Margarido — publicado 07/05/2011 12h28, última modificação 07/05/2011 12h28
Singularidades de uma Rapariga Loira, filme de 2009 previsto para estrear dia 13 de maio, do diretor Manoel de Oliveira, traz a opção inesperada de atualizar um conto de época

SINGULARIDADES DE UMA RAPARIGA LOIRA

Nenhum admirador de Manoel de Oliveira estranhará o veterano cineasta português adaptar às telas Eça de Queirós. Isto porque o cineasta mais velho em atividade, com 102 anos, serve-se com frequência da literatura de seu país, a exemplo do romantismo clássico de Camilo Castelo Branco (Amor de Perdição) ou da novela realista de Augustina Bessa-Luís (Vale Abraão). Mas Singularidades de uma Rapariga Loira, filme de 2009 previsto para estrear dia 13 de maio, traz a opção inesperada de atualizar um conto de época. Foi uma decisão, segundo o próprio cineasta durante entrevista no Festival de Berlim daquele ano, para comentar uma ética e os costumes de um período ainda válidos hoje.

O jovem Macário (Ricardo Trêpa, neto de Oliveira) relata a uma desconhecida no trem (Leonor Silveira) seu infortúnio amoroso. Empregado do tio numa loja de roupas, ele corteja bela jovem vizinha (Catarina Wallenstein) pela janela. Quer casar-se, mas o tio é contrário, enxotando-o de casa. Macário lança-se, então, numa empreitada em Cabo Verde que se mostrará fracassada e, reabilitado, casa-se. Sua rapariga não merecia o esforço. Oliveira mantém a obra de Eça de Queirós na íntegra. Mas, sem abdicar do traço anacrônico comum em seu cinema, o diretor impregna a história de um salutar e refrescante tom contemporâneo.