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Cultura

1936-2011

Vaclav Havel, herói da 'Revolução de Veludo'

por AFP — publicado 19/12/2011 09h05, última modificação 19/12/2011 09h05
Ícone da dissidência anticomunista e símbolo da renovação democrática na Europa Oriental, o ex-presidente tcheco morreu no domingo 18 aos 75 anos
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Vaclav Havel em novembro de 2009. Foto: AFP

[stream provider=youtube flv=http%3A//www.youtube.com/watch%3Fv%3DKxXjk0i9LOY img=x:/img.youtube.com/vi/KxXjk0i9LOY/0.jpg embed=false share=false width=480 height=320 dock=true controlbar=over bandwidth=high autostart=true /] PRAGA (AFP) - Ícone da dissidência anticomunista, símbolo da renovação democrática na Europa Oriental, o ex-presidente tcheco Vaclav Havel, falecido neste domingo aos 75 anos, encarnou a "Revolução de Veludo" de 1989 que pôs fim sem violência ao regime totalitário de Praga.

Primeiro presidente da Tchecoslováquia pós-comunista (1989-1992) e depois da República Tcheca (1993-2003), liderou a democratização de seu país, sua entrada na Otan (1999) e os preparativos para aderir à UE em 2004.

Após o fim de seu mandato, em fevereiro de 2003, apesar de sua saúde frágil, o dramaturgo e ex-dissidente anticomunista da Carta 77 dedicou-se a lutar pelos direitos humanos em Cuba, Belarus, Mianmar ou Rússia.

Retornou também às letras com a publicação, em 2006, de suas memórias políticas e de uma obra de teatro, "A ponto de partir", em 2008, que é também o título de seu primeiro filme, que estreou em Praga no dia 14 de março.

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Nascido em 5 de outubro de 1936 em Praga em uma família proprietária de estúdios de cinema e dezenas de edifícios na capital, Vaclav Havel foi privado dos estudos pelo regime comunista em nome da luta antiburguesa. Lançou-se então no âmbito teatral, primeiro como maquinista e depois como autor do teatro do absurdo.

Negou-se a se exilar e depois da ocupação soviética em 1968 entrou em dissidência para redigir o manifesto Carta 77, vibrante defesa política dos direitos humanos. Seu compromisso levou-o a passar quatro anos na prisão, onde escreveu suas famosas "Cartas a Olga", sua primeira esposa.

Foi eleito à presidência em 29 de dezembro de 1989, e após a morte de sua esposa Olga, em 1996, se casou rapidamente com Dagmar Veskrnova, uma atriz vinte anos mais jovem que ele.

Vaclav Havel tinha uma saúde frágil devido às pneumonias contraídas nas prisões comunistas e por seu passado de grande fumante.

Esteve prestes a falecer em várias ocasiões: em dezembro de 1996 foi operado de um câncer do pulmão direito, em abril de 1998 passou novamente pela mesa de cirurgia na Austrália por uma perfuração intestinal e em agosto deste mesmo ano sofreu um ataque cardíaco.

No dia 8 de março, foi hospitalizado novamente em Praga, por graves transtornos respiratórios, quinze dias antes da estreia de seu filme "A ponto de partir", baseado em sua última obra teatral.