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Uma lucidez diplomática

por Renato Pompeu — publicado 19/03/2011 14h53, última modificação 19/03/2011 14h53
Roniere Menezes mostra como João Cabral de Mello Neto, João Guimarães Rosa e Vinicius de Moraes, todos diplomatas, expressam em suas obras as contradições do País

Roniere Menezes mostra como João Cabral de Mello Neto, João Guimarães Rosa e Vinicius de Moraes, todos diplomatas, expressam em suas obras as contradições do País

Um aparato documental, teórico e crítico impressionante – cerca de 300 livros são mencionados na bibliografia – respalda o livro do doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal de Minas Gerais Roniere Menezes O traço, a Letra e a Bossa – Literatura e diplomacia em Cabral, Rosa e Vinicius. Com detalhamento possibilitado pela vastíssima documentação e momentos de conceituação filosófica de alta abstração, Menezes mostra como o poeta João Cabral de Mello Neto, o prosador João Guimarães Rosa e o poeta e letrista Vinicius de Moraes, todos eles diplomatas de profissão, por terem literalmente viajado não só pelo exterior, mas também os dois primeiros pelo Sertão e o último pelas favelas, expressam em suas obras, com muita arte e calor humano, as contradições de um país que pretendia se modernizar sem alterar suas estruturas seculares de exclusão social. As obras dos três passeiam pelos mundos dos desvalidos, mostrando de um lado que estes são plenamente humanos, ao contrário do que pensam os conservadores, e de outro, que os desvalidos não se comportam, no exercício de sua humanidade, tal como esperam os seus defensores tidos por progressistas.

O traço, a Letra e a Bossa - Literatura e diplomacia em Cabral, Rosa e Vinicius, de Ronier Menezes. Editora UFMG, 320 páginas, 53 reais