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Um segredo em Miami

por Rosane Pavam publicado 18/08/2011 12h00, última modificação 19/08/2011 12h18
Fernando Morais relata a ação de espiões cubanos contra o terror
Um segredo em Miami

Fernando Morais relata a ação de espiões cubanos contra o terror. Foto: Olga Vlahou

Íntimo do jornalismo em livro. Um autor, não um escritor. Assim se define Fernando Morais. Ele gastou três anos, fez 20 viagens a Cuba, Estados Unidos e México, entrevistou pessoalmente 38 pessoas e leu 30 mil documentos para compor Os Últimos Soldados da Guerra Fria (Companhia das Letras, 416 págs., R$ 42). Este novo livro-reportagem, detalhista como foram A Ilha, Olga ou Chatô – O Rei do Brasil, adiciona ao formato jornalístico um sonho de infância. Neste relato, Morais nunca esteve tão próximo de suas leituras aventurosas. Aos 65 anos de idade, pode-se mesmo dizer que este autor jamais foi tão juvenil. “Se eu pudesse, só escreveria aventuras”, afirmou em entrevista por telefone a CartaCapital, no dia 16. A inspirá-lo nesta obra estão James Fenimore Cooper, o autor de O Último dos Moicanos, romance que por sinal o título do livro atua-l evoca, e também John Le Carré e Ian Fleming, os britânicos responsáveis por tornar a espionagem um gênero rico.

A diferença entre Fernando Morais e seus ídolos da narrativa é que esse mineiro de Mariana não se considera um escritor. Embora pesquise e inquira os entrevistados tornados personagens à exaustão, não detecta em si a capacidade ficcional. “Darcy Ribeiro dizia duas frases que sempre me inspiraram”, argumenta ele em torno da sabedoria do -antropólogo. “O Brasil é ótimo, só falta alguém para contar a história.” E esta: “Com a realidade- que nos cerca, para que ficção?” O jornalista sustenta jamais ter escrito uma linha que não pudesse comprovar.

Por isso, talvez, ele não reivindique status literário para seu novo livro, cujo subtítulo é A História dos Agentes Secretos Infiltrados por Cuba em Organizações de Extrema Direita nos Estados Unidos. No volume, Morais deixa de exercer a voz atuante do observador de espírito, na contramão do que sempre fez um escritor como Le Carré. Ainda assim, o brasileiro tem uma costura narrativa própria e escolhe o ponto de vista dos personagens, como em uma ficção. Seu texto como um todo, no entanto, é desossado de pretensões, quase a esperar que o cinema de um Steven Soderbergh (Onze Homens e um Segredo, Che) ou de um Fernando Meirelles (Cidade de Deus, Ensaio sobre a Cegueira) lhe providencie a carne.*

*Leia a íntegra do texto na edição 660 de CartaCapital, nas bancas nesta sexta-feira 19