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Um raro filme uruguaio

por Celso Marcondes — publicado 21/08/2009 15h52, última modificação 19/08/2010 15h55
Nesta sexta-feira, 21, estreou nos cinemas de São Paulo e do Rio de Janeiro o filme Gigante, do diretor argentino radicado no Uruguai Adrián Biniez

Nesta sexta-feira, 21, estreou nos cinemas de São Paulo e do Rio de Janeiro o filme Gigante, do diretor argentino radicado no Uruguai Adrián Biniez.

Ele acaba de ganhar três prêmios no 37º. Festival de Gramado: o prêmio da crítica, o de melhor roteiro (Adrián Biniez) e o de melhor ator (Horacio Camandule).

Antes, no 59º Festival de Berlim (2009) o filme tinha sido vencedor do Urso de Prata (Grande Prêmio do Júri), do prêmio de obra estreante e do prêmio Alfred Bauer (de inovação cinematográfica).

Premiações bem justificadas, dá para dizer logo de cara. Gigante é um filme que conta a história das transformações que vão acontecendo num homem quando ele fica apaixonado e tem medo de expressar seu sentimento. Seguramente o leitor já deve ter visto dezenas de filmes com enredo semelhante. Mas quais serão as diferenças?

As principais foram as escolhas do diretor pelo lugar da ambientação da trama e a singularidade das ocupações dos atores principais: Jara, o protagonista, vivido por Horacio Camandule, é segurança noturno num supermercado de Montevidéu e Julia (interpretada por Leonor Svarcas), o alvo de sua paixão, é faxineira no mesmo lugar.

Logo no começo da história, quando chega ao vestiário do supermercado, Jara se olha no espelho e lê um cartaz dizendo “essa é a imagem que o cliente tem de você”. Uma ação da empresa para induzir os funcionários a buscarem uma boa apresentação pessoal. E é exatamente a partir de uma imagem que Jara vai começar a mudar seu comportamento, pois ele passa as noites de trabalho sentado placidamente em frente a um monitor de tevê, brigando contra o sono e o tédio, esvaziando uma garrafa térmica de café e fazendo infindáveis palavras cruzadas.

Será através das câmeras espalhadas pela empresa que, um dia, ele se fixará na imagem de Julia trabalhando e a partir daí praticamente não fará outra coisa senão acompanhar seus passos pelas câmeras

Ela vira a razão da sua vida, mesmo nos finais de semana e nos momentos de lazer. Jara vai modificar seu comportamento na medida do crescimento de sua paixão, num filme com poucos diálogos – você só ouvirá uma palavra de Julia – mas com muitos olhares e muita sensibilidade.

Gigante vem se somar a outras singelas preciosidades que o cinema uruguaio nos apresenta de vez em quando, como foram os casos de “Whisky” e o“’O Banheiro do Papa“, nesses últimos anos. Vale o ingresso.