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Um herói civilizador

por Orlando Margarido — publicado 16/03/2011 10h23, última modificação 18/03/2011 11h26
Filho de escrava, o engenheiro Theodoro Sampaio ajudou a planejar um Brasil que, nos sertões e nas cidades, pretendia ser republicano e moderno

Filho de escrava, o engenheiro Theodoro Sampaio ajudou a planejar um Brasil que, nos sertões e nas cidades, pretendia ser republicano e moderno

Se o empreendedorismo pode ser medido pelo número de façanhas e pelas condições propícias para quem as efetivou, o caso do baiano Theodoro Fernandes Sampaio (1855-1937) merece figurar no panteão nacional como heroico. Mulato, filho de mãe escrava e possível pai da aristocracia branca local, criado por um padre presumivelmente culto e esclarecido o suficiente para encaminhá-lo aos estudos, este engenheiro, geógrafo, cartógrafo, historiador, linguista, empresário e talvez urbanista, quando a designação ainda não se aplicava, é aquele que conhecemos de nome de ruas, túneis, bairros e cidades do Brasil. Mas por certo uma informação modesta, dada a considerável dimensão de seus feitos, como tornar viável a instalação do complexo hospitalar das Clínicas, onde hoje desponta a via com seu nome, na zona oeste de São Paulo, cidade onde ainda contribuiu de forma decisiva para a melhora sanitária. Ou criar o primeiro bairro planejado de Salvador, a Cidade Luz, futura Pituba. Legado de um precursor que agora é esmiuçado em consonância com a determinação e caráter ambicioso do personagem no livro Theodoro Sampaio – Nos sertões e na cidade (Versal Editores, 392 págs. R$ 190). Projeto de pesquisa de Ademir Pereira dos Santos, o volume mereceu o Prêmio Clarival do Prado Valladares, na edição de 2008, iniciativa da Odebrecht para edições dedicadas à história do Brasil.

Neste levantamento de vida pessoal conflituosa e obras influentes assinado pelo professor e arquiteto paranaense vemos a conjunção de um esforço pessoal e o cenário de desenvolvimento de um país que requeria figuras de múltiplas habilidades. Era o período do segundo reinado de dom Pedro II, governo inclinado a conhecer mais profundamente o território nacional e mapeá-lo, conforme salienta a historiadora Maria Alice Rezende de Carvalho em texto de introdução no livro. “Por vocação, tradição e afinidade, o tema urbano será uma das grandes marcas da engenharia imperial”, diz, lembrando que a profissão de engenheiro tinha origem associada aos cursos de artilharia e construções defensivas militares. Theodoro Sampaio se preparava para ser um protagonista emblemático na execução desse planejamento.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 638, já nas bancas.