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Cultura

Novo Código Florestal

Trollando os senadores. Com grande elenco

por Clara Roman — publicado 18/10/2011 16h22, última modificação 19/10/2011 18h50
Em campanha lançada por Fernando Meirelles, celebridades como Wagner Moura, Alice Braga e Rodrigo Santoro gravaram vídeos caseiros para pedir que Senado não aprove texto do novo Código Florestal
Lenine por Renata Duarte

O cantor pernambucano Lenine. Foto: Renata Duarte

A significou uma grande derrota para os ambientalistas. Utilizado como moeda de troca entre a base aliada e o governo no auge da crise protagonizada pelo ex-ministro Antônio Palocci, o projeto de lei anistiava aqueles que já haviam desmatado áreas de preservação e, na prática, permitia o avanço de culturas e pastagens sobre áreas como topos de morros e entornos de rios, protegidas pelo Código antigo.

Enquanto o texto corre em discussão no Senado, ambientalistas tentam emplacar mudanças que minimizem o que chamam de derrota para o meio ambiente. Para mandar um recado aos senadores sobre o que pensam, militantes da causa verde ganharam o apoio de um grupo de artistas dispostos a doarem rosto e voz para pressionarem os políticos.

A sugestão partiu do cineasta Fernando Meirelles, diretor de "Cidade de Deus". Ele foi convidado por um grupo de mais de cem entidades que compõe o movimento #florestafazadiferença para auxiliar na comunicação. Amigo de famosos como Rodrigo Santoro, Gisele Bündchen e Alice Braga, Meirelles teve apenas que mandar e-mails para os colegas pedindo que enviassem recados para os senadores sobre o Código Florestal. Como os recursos eram escassos, os próprios artistas se gravaram com câmeras improvisadas de celular ou computador.

As mensagens são direcionadas diretamente aos senadores. Sem maquiagem, em suas próprias casas, as celebridades realizaram discursos espontâneos. Todos eles pedem que o texto seja revisto. Ao todo, são 25 filmagens.

“A palavra 'anistia' que em sua origem é um palavra muito bonita, no Brasil, adquire um significado nefasto”, diz o ator Wagner Moura em seu depoimento, ao criticar a anistia concedida não só aos proprietários rurais que desmatarem suas terras, mas também àqueles que mataram e torturam durante a ditadura militar. “Eu sou neto de fazendeiro, sei da importância da agricultura no Brasil, mas estou muito preocupado com as mudanças que estão propondo para o Código Florestal”, expôs Rodrigo Santoro.

Meirelles comenta que, como o assunto é um pouco árduo, queria trazer uma abordagem que chamasse mais a atenção do público. Disse que a campanha não lhe exigiu muito trabalho porque todos estavam bastante sintonizados no assunto. Agora, a partir desta terça-feira, Meirelles enviará os vídeos para os e-mails dos senadores. Também disponibilizará as produções no site do projeto, junto com os endereços eletrônicos dos políticos para que o público possa enviar para seus senadores. A ideia é bombardear diariamente os membros do senado, o que, na linguagem da internet, é conhecido como "trollar".

Meirelles explica que também é fazendeiro. Por isso mesmo, compreende a importância da preservação ambiental que seria garantida com a aplicação do Código antigo. “O novo Código é mais prejudicial para matas remanescentes fora da Amazônia”, afirma.

No início, a campanha contava apenas com fotos que as pessoas tiravam de si mesmas em situações de risco, com um cartaz que podia ser baixado pelo site com a frase: “O ar que você respira poderia ser melhor se tivesse florestas mais perto”. A ideia, lançada pelos publicitários Percival Caropreso e Raul Cruz Lima era aproximar a discussão ao mostrar que não é só na Amazônia que o Código interferirá, mas também em morros nas cidades, que sofrem com deslizamentos em áreas desmatadas ilegalmente, enseadas, mangues, rios próximos aos grandes centros. A iniciativa, no entanto, tomou outras proporções. Ao sugerir para que famosos tirassem as fotos, não imaginavam que teriam uma adesão tão grande. Lenine, Fernanda Torres, Rodrigo Santoro, Paulo Tatit, Carlinhos Brow, entre muitos outros participaram dessa primeira fase. Depois de ver o resultado com as imagens, resolveram fazer os vídeos.

O movimento #florestafazadiferença é composto por mais de cem entidades contrárias a aprovação do Código como passou na Câmara. Entre elas, WWF Brasil, Greenpeace, SOS Mata Atlântica e até a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

Enquanto a discussão na Câmara foi esvaziada e a aprovação foi realizada de sopetão, os movimentos esperam conseguir influenciar a discussão no Senado, que aparenta estar mais aberto a mudanças sobre detalhes mais polêmicos do Código. Na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) os senadores afirmaram que querem incluir no texto mecanismos de pagamento para aqueles que mantiverem as Áreas de Preservação Permanente (APPs). O senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), relator do projeto, prevê que a votação ocorra em novembro.

Veja , , e  depoimentos de Wagner Moura, Vitor Fasano, Alice Braga e do prório Fernando Meirelles.

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