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Trattoria Allen

por Orlando Margarido — publicado 30/06/2012 10h51, última modificação 30/06/2012 10h59
Novo filme de Woody Allen poderia ostentar maior afinidade à trajetória pessoal do realizador do que suas experiências anteriores
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Cardápio reforçado. Allen, como o mercenário pai da noiva

Na recente franquia que se tornaram as viagens cinematográficas de Woody Allen, Para Roma, com Amor poderia ostentar maior afinidade à trajetória pessoal do realizador do que as experiências anteriores, em especial Meia-Noite em Paris. A exemplo do que discute num recente documentário lançado no Festival de Cannes, Allen foi formado pelo grande cinema italiano de Fellini, De Sica e Monicelli. A lição dos mestres, um tanto requentada, surge nesse filme em cartaz desde sexta 29, no formato habitual de mosaico de personagens que tanto o agrada.

Estão na tela o casal ingênuo da província que se perde nas armadilhas da grande capital, ele (Alessandro Tiberi) nas mãos de uma prostituta (Penélope Cruz), ela (Alessandra Mastronardi) pela lábia de um ator famoso (Antonio Albanese); o triângulo amoroso de jovens americanos, sendo o rapaz (Jesse Eisenberg) aconselhado por uma espécie de alter ego mais velho (Alec Baldwin); o homem comum (Roberto Benigni) que um dia acorda famoso; e, por fim, o casal americano que vem conhecer o noivo italiano da filha, com o próprio Allen como o pai da noiva mercenário que descobre um novo talento da ópera.  A costura de humor e melodrama faz jus em alguns momentos inspirados, como o do chuveiro que faz o cantor. Mas são pontuais e mesmo melancólicos para quem dominou a grande cozinha do cinema e agora remete seu talento ao cardápio esforçado de uma trattoria.