Você está aqui: Página Inicial / Cultura / Torre de Babel

Cultura

Virada Cultural em SP

Torre de Babel

por Willian Vieira — publicado 13/04/2011 09h07, última modificação 13/04/2011 09h49
Se em 2005 houve 200 atrações para 300 mil pessoas, esta sétima edição deverá alimentar 5 milhões de curiosos com até mil apresentações entre os dias 16 e 17 de abril

Para uma receita de virada à paulista, misture uma exposição sobre Zé do Caixão (com presença do próprio) a um ringue de luta livre mexicana e adicione, ao longo de 24 horas, a volta em grande estilo da banda dos anos 80 RPM, uma multidão de casais dançando forró para quebrar o recorde mundial e os mil integrantes da maior bateria de escola de samba jamais vista. Mas, para os puristas da dieta cultural, é possível ignorar a mistura e sorver 24 horas ininterruptas com todas as canções dos Beatles por meio da banda Beatles4Ever, que troca de roupa a cada álbum.

“Torre de Babel” é a definição do diretor José Mauro Gnaspini para a Virada Cultural. Se em 2005 houve 200 atrações para 300 mil pessoas, esta sétima edição deverá alimentar 5 milhões de curiosos com até mil apresentações, em um cardápio que desafia os limites do ecletismo, “juntando o popular ao erudito”. Só no quesito orquestras há desde um dueto entre a Orquestra Experimental de Repertório e o rock pesado do Sepultura até uma orquestra participativa no Anhangabaú, só com baterias, centenas delas. “A Virada, antes de um evento cultural, é uma festa, então a curadoria é festiva, não hermética”, explica Gnaspini. O critério para participar do evento, diz, é a disponibilidade do artista (já que não se pode bancar estrelas). E o público deve se divertir. Afinal, “são cinco minutos de anarquia que o carnaval já não promove em São Paulo”.

Alguém que caminhe um quilômetro pelas ruas da região central durante a Virada estará sujeito a viver uma experiência cultural surreal. Poderá passar pelo espaço dos cosplayers e vikings, ver artistas suspensos por cordas em prédios antigos e pegar uma sessão em um dos dois cinemas pornôs que abrigarão filmes cult, nos quais letreiros de A Travessia de Cassandra substituirão cartazes de mulher pelada. Também terá a chance de participar da “ocupação urbana” de uma árvore na República e de um concurso de pole dance, ir ao circo e ao teatro e aprender, numa oficina culinária, a passar a Páscoa judaica num boteco.

Claro, o coração do evento continua sendo música, seja ela eletrônica, hip-hop, forró (de Forroçacana a Dominguinhos); sejam nomes nacionais, como Rita Lee, Marina Lima e Paulinho da Viola, ou músicos de fora, como Edgar Winter, Armando Manzareno e a “música de reciclagem” dos armênios Jashgawronsky Brothers. Mas as novidades é que chamam a atenção. O que dizer de uma maratona de comédia stand-up, com 28 apresentadores fazendo seu show debaixo do viaduto, o do Chá? Que ninguém reclame de austeridade nas opções, a não ser pela ausência dos anões do Minikiss, que desistiram da festa na última hora.

Programe-se: www.viradacultural.org