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Cultura

Cariocas quase sempre

Tom não merece o Galeão

por Carlos Leonam e Ana Maria Badaró — publicado 19/02/2011 18h44, última modificação 19/02/2011 18h44
Nos recusamos a chamar de Tom Jobim o Galeão enquanto este não fizer por merecer o nome do maestro que tão sensivelmente cantou o Rio, a começar pelo seu “Samba do Avião”

Até que enfim falaram mal oficialmente do aeroporto do Galeão. O governador Cabral disse que o Rio não merece a vergonha de ter um aeroporto assim. Não sem tempo. Deve ser por que as Olimpíadas, a Copa do Mundo e outros eventos que vão expor a cidade à mídia internacional estão se aproximando que rufaram os tambores nas Laranjeiras. Ou por que a Infraero deverá ganhar uma governança profissional e tomar gosto pela coisa para a qual foi criada. Ótimo.
Ao pararem de tapar o sol – e que sol tem feito por aqui ! - com a peneira, as autoridades dispensaram até o carioca mais fundamentalista, pois os há, de defender o indefensável. Há nativos viajantes que confundem a felicidade de estar de volta à terra e o amor pela  cidade com entubar incompetências administrativas, banheiros rotos e sujos, defeito no ar condicionado, atrasos de voos, malas dispersadas, goteiras aparadas com baldes e outros problemas que só nos fazem envergonhar por termos o aeroporto internacional que temos.
Do jeito que o Galeão está há anos, temos é que falar mal dele também para os nossos visitantes como forma de preveni-los dos choques. Afinal, o Aeroporto Internacional do Rio não combina com o país nem com nem com a cidade. Para não serem desagradáveis, os amigos neófitos em aterrissagens por aqui passam a mão na testa, enxugando o suor de vários sufocos a que são submetidos desejando sair logo de lugar tão primitivo.
Nesta coluna nos recusamos a chamar de Tom Jobim o Galeão enquanto este não fizer por merecer o nome do maestro que tão sensivelmente cantou o Rio, a começar pelo seu “Samba do Avião”.
Sentados ao sol -  O negócio do aluguel de cadeiras e barracas na praia é um dos mais fortes da temporada de verão. O pacote cadeira mais guarda-sol sai por R$ 10,00: R$ 4,00 para sentar-se e R$ 6,00 por uma sombra no calor inclemente. Os donos do negócio embolsam um bom lucro, a contar pelo baixo investimento e a alta rotatividade dos usuários, e mantêm o preço independente da demanda.
Mas há turistas estrangeiros que às vezes entram em fria. Uma alemã contou que em frente ao Copacabana Palace pagou R$ 40 reais pelo kit seat & shadow! Exploração criminosa de turistas incautos acontece em qualquer lugar. Mas é bom ficar de olho nos espertalhões. Nas praias, a maioria dos barraqueiros e seus ajudantes  é conhecida dos freqüentadores e há um acordo de cavalheiros quanto aos preços cobrados.
Sombra e sol  - A freqüência às praias urbanas tem sido tão alta que nos fins de semana faltam barracas para alugar. Tem até fila de espera. Quem não quiser sair de casa carregando o trambolho, que só e bom na hora do sol de rachar, deve chegar mais cedo ou ficar de olho em quem está indo embora para assegurar a sua sombra em troca, claro, dos quatro dinheiros, à vista ou no caderninho.
A situação lembra as ridículas disputas por uma vaga nos estacionamentos dos shoppings da cidade no horário do pique comercial, quando o motorista, eventualmente a família inteira, fica seguindo em marcha lentíssima quem aparenta estar de saída. Ou então pergunta logo: “tá saindo?”. Decepção quando a resposta é: “tô chegando .” Quem não pagou mico assim? O mesmo está acontecendo nas praias cariocas. Faltam barracas ou sobra sol?