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Terri­tório dominado

por Orlando Margarido — publicado 19/01/2013 09h01, última modificação 06/06/2015 18h25
Do olhar arguto ao redor, e não da ação e resolução banal de uma narrativa, tem-se a elaboração incomum de O Som Ao Redor
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Foto: Divulgação

O Som ao Redor
Kléber Mendonça Filho

 

 

O domínio pelo conhecimento do território onde pisa pode ser uma ferramenta útil, mas cômoda para um realizador. Não foi por comodidade certamente que o pernambucano Kléber Mendonça Filho se deteve na vizinhança onde cresceu e ainda mora no Recife para realizar o surpreendente O Som Ao Redor. Antes, fez da familiaridade a inquietude e a estranheza de quem viu tudo e ao mesmo tempo nada mudar. Tudo, porque sua casa passou a ser cercada de grandes edifícios em bairro da classe média da capital. Mas a se encarapitar neles estão as mesmas famílias endinheiradas com seus caprichos senhoriais, os empregados legados a quartinhos sufocantes, a neurose da violência.

Nesse universo capitaneado pelo senhorio Francisco (um ótimo W. J. Solha) cabe um dado significativo. Seu poder no quarteirão onde é proprietário de boa parte dos imóveis se origina do antigo engenho. O prestígio patriarcal segue intacto na cidade, tanto para os netos acomodados que vivem sob sua proteção como para novos componentes desse quadro. É o caso do profissional de segurança (Irandhir Santos) e sua equipe, que chegam quase impondo seus préstimos por saber jogar com o medo. Entre os dois planos, temos a família açodada pelo latir insistente de um cão e o pesadelo de uma invasão. Do olhar arguto ao redor, e não da ação e resolução banal de uma narrativa, tem-se a elaboração incomum deste filme.

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