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Arte e cinema

Sugestões de Bravo! para ver

por Redação Carta Capital — publicado 20/08/2011 09h07, última modificação 23/08/2011 15h27
Selecionamos uma exposição, uma peça e os filmes da Sessão Vitrine, que traz quatro documentários e uma ficção da nova geração de realizadores brasileiros
Sugestões Bravo! para ver

Selecionamos uma exposição, uma peça e os filmes da Sessão Vitrine, que traz quatro documentários e uma ficção da nova geração de realizadores brasileiros

CINEMA

Uma revisão bem-vinda

Por Orlando Margarido
Sessão vitrine
19 a 21 de agosto
Museu da Imagem e do Som- São Paulo
Uma das razões para retornar aos filmes da primeira edição da Sessão Vitrine, agora unidos em bloco, é vislumbrar uma geração de realizadores brasileiros, novata ou nem tanto, e diagnosticar a que conceito querem se dedicar. Não por acaso, o empenho investigativo domina, já que dos cinco títulos escalados
a partir desta sexta 19, no Museu da Imagem e do Som, quatro são documentários. A ficção é legitimada pela turma de cearenses do coletivo Alumbramento, em Estrada para Ythaca, road movie existencial programado para o encerramento no domingo 21, às 21 horas.

No caso dos filmes documentais, a variedade faz por impor algumas questões envolventes para discutir. A ética, por exemplo, quanto à aproximação entre diretor e personagens por expedientes escusos, como se dá em Um Lugar ao Sol. O próprio diretor Gabriel Mascaro questiona seu método ao focalizar proprietários de coberturas em capitais brasileiras e se esforçar para consumar sua tese. É condição semelhante à de Estrada Real da Cachaça, de Pedro Urano. Este nos faz reviver o desconforto do cinema de Frederick Wiseman com a decisão de mostrar homens inebriados pela aguardente e, portanto, destituídos do direito de recusar. Princípio regido ao contrário no encantamento e certa cautela de Gustavo Beck pela protagonista em Chantal Akerman, De Cá. Melhor no contraponto desses fatores se sai Gustavo Spolidoro em Morro do Céu, ao se posicionar invisível e revelador para retratar os anseios e as decepções de um adolescente numa pequena comunidade ítalo-gaúcha.

TEATRO

Outra vida para Bartleby

Por Willian Vieira

Preferiria não?
19 de agosto a 18 de setembro
Teatro Anchieta, São Paulo

Denise Stoklos propõe mergulhar em uma obra e dela extrair o universal. Colocar-se no lugar do sujeito que narra e impor sua biografia, sujeitando a obra à sua própria, mas sem eliminá-la. Uma simbiose surge da mescla. É o que ela faz com Hermam Melville e seu Bartleby, o escriturário.  Preferiria Não? toma a referência para batizar a tentativa de fundir duas biografias: uma real, a da diretora e dramaturga, que chega aos 60 anos com quase 30 peças na carreira, e outra imaginária, a do dono de um escritório no qual um novo escriturário começa a (não)trabalhar. “Preferia não fazer”, responde Bartleby sempre que lhe solicitam algo. Aqui, porém, Bartleby não acaba na prisão por se negar a deixar o escritório, mas num hospício, uma das releituras feitas por Stoklos, que adapta, escreve, dirige e interpreta o universo criado por ela e ligado por um fio ao imaginado por Melville. Do fio nasce o monólogo.

ARTE

Nova geografia

Por Orlando Margarido

Ocupação Cildo Meirelles - Rio Oir
Itaú Cultural, 21 de agosto
a 2 de outubro

Em 1975, Cildo Meireles finalizou a instalação Eureka/Blindhotland para explorar um caráter voltado a sentidos que não apenas o visual. O projeto,
com versão na Tate Gallery londrina, une nas grandes dimensões peculiares ao artista carioca uma tela de tecido a objetos e áudio, este uma característica marcante de sua trajetória, a exemplo dos rádios expostos na Pinacoteca do Estado, em 2006. Aquela década viu consumar a pesquisa de Meireles em outros trabalhos, mas um deles nunca foi realizado. Trata-se da coleta de sons de água em rios e cachoeiras de várias regiões do Brasil, projeto agora retomado para a série Ocupação do Itaú Cultural.

Na mostra rio oir, palíndromo com referência ao fluxo da água, há discos
de vinil em vitrola, dos quais se ouvem os barulhos captados
e risadas, monitores e back-lights com vídeos e fotos dos locais visitados. São pontos do País, como a estação ecológica de Águas Emendadas, próxima a Brasília, onde Cildo viveu na adolescência, Foz
do Iguaçu, a foz do Rio São Francisco e o Rio Araguari, no Amapá, um dos locais da pororoca. Nesse projeto de três anos, o resultado não é suscitar meramente um conceito artístico, mas sim representar a preocupação política, que sempre pautou a obra do artista. A condição atual desses rios e sua preservação serve, para usar um termo caro a ele, como moeda para confrontar o espectador com um novo significado do que é público e do que cabe ao universo da arte. Embate, inclusive, que já propunha nos anos 1970, ao adotar cédulas
de dinheiro e garrafas de Coca-Cola fora de seu uso corriqueiro.