Você está aqui: Página Inicial / Cultura / Sugestões de Bravo! para ver

Cultura

Cinema e exposição

Sugestões de Bravo! para ver

por Redação Carta Capital — publicado 06/08/2011 09h46, última modificação 10/08/2011 17h00
Bravo! selecionou Ex-isto, de Cao Guimarães, e A Rua é nossa... é de todos nós, que discute usos da rua oara a vida nas ruas, discussão fundamental em um cenário caótico como São Paulo
Sugestões de Bravo! para ver

João Miguel, em estado de graça, como o filósofo diante do irracionalismo brasileiro

CINEMA

Razão em confronto
Por Orlando Margarido

EX-ISTO

Cao Guimarães

No cinema do mineiro Cao Guimarães, as artes plásticas, que despontam em outra vertente de sua carreira, aparecem em maior ou menor condição. A sofisticação da imagem, requisitada pela videoarte, surge definidora, por exemplo, em Andarilho e Acidente, de 2006, e Alma do Osso (2004), filmes documentais ligados pelo tema de um Brasil isolado. É também por esse contexto habitual do trabalho do diretor-artista que provém o espanto com seu mais novo filme, Ex-Isto, estreia prevista para o dia 12. Com essa livre adaptação do romance de Paulo Leminski Catatau e ao cooptar a ideia central sobre René Descartes, Guimarães tateia a ficção, convocando gêneros nem sempre sintonizados com sua originalidade.

A proposta aqui parte de uma hipótese do poeta curitibano quando ainda professor em sala de aula. Leminski imaginou Descartes no País com a trupe do holandês Maurício de Nassau. Como no livro, o filme invoca em primeira pessoa o próprio Descartes, interpretado por um João Miguel em estado de graça, e faz o ilustre filósofo francês do racionalismo perder a razão diante das estranhezas dos trópicos e de seu calor desmedido. O diretor leva seu convidado a uma viagem por florestas, como a do Amapá, e cidades, a exemplo de Recife e Brasília, para confrontar o cartesiano autor de Discurso sobre o Método com o jeito brasileiro informal. Consegue um raro e brilhante estado de confrontação, ainda auxiliado por recursos visuais e musicais que, já se sabia, ele maneja muito bem.

EXPOSIÇÃO

Como se houvesse ciclovias

Por Willian Vieira

A Rua É Nossa... É de Todos Nós!

Até 11 de setembro
Museu da Casa Brasileira
São Paulo – SP

Em sua longa peregrinação mundo afora, a mostra A Rua É Nossa... É de Todos Nós! não deparou com o caos de São Paulo. Desde Paris, onde foi concebida, seus painéis e videoinstalações passaram por Bogotá, Buenos Aires, Montreal, Pequim, Toronto e Xangai, sempre com a proposta de discutir a viabilidade de novos usos da rua para uma vida mais saudável nas grandes cidades. Mas em São Paulo, onde as campanhas de conscientização sobre o pedestre são ignoradas, na esteira de mortes que ganham os jornais e fazem da maior cidade da América do Sul – com suas magras ciclovias e escassos parques urbanos –, um campo minado e pouco convidativo para quem não tenha quatro rodas, o desafio é maior. “Aqui a rua é ponto de passagem. As pessoas não se apropriam do espaço público para o lazer”, diz Giancarlo Latorraca, diretor técnico do Museu da Casa Brasileira.

A ideia é reverter isso, ao menos na discussão. A principal videoinstalação, do francês Bruno Badiche, permite uma imersão nas possibilidades da rua como hábitat natural do homem. Três grandes telas trazem à sala escura um debate imagético. Mendigos e crianças jogando futebol, suspensos no tempo, misturam-se aos transeuntes apressados na busca sem sentido de algo que não sabem o que é, mas que escorre pelas apertadas ruas das cidades nos quatros cantos do globo.

Além da mostra, haverá atividades externas, como um passeio a pé pelo centro da cidade, uma mesa-redonda para discutir as relações  entre o museu e a avenida Faria Lima e uma bicicletada de 14 kilômetros por parques e museus,  conduzida pelas ciclofaixas de domingo. Ninguém incentivaria uma pedalada fora delas.

registrado em: