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Sugestões de Bravo! para ver

por Orlando Margarido — publicado 30/07/2011 12h05, última modificação 30/07/2011 12h05
As sugestões de Orlando Margarido desta semana são a mostra Quinta Jornada Brasileira de Cinema Silencioso, em São Paulo, e Vejo Você no Próximo Verão, com Philip Seymour Hoffman
Sugestões de Bravo! para ver

As sugestões de Orlando Margarido desta semana são a mostra Quinta Jornada Brasileira de Cinema Silencioso, em São Paulo, e Vejo Você no Próximo Verão, com Philip Seymour Hoffman

Na Itália, com silêncio

A prolífica produção muda do país é homenageada

Quinta Jornada Brasileira de Cinema Silencioso

5 a 14 de agosto

Cinemateca Brasileira

São Paulo

A trajetória do produtor e fotógrafo italiano Gilberto Rossi (1882-1971) é sintomática de um empreendedorismo que se revelava também no cinema brasileiro das primeiras décadas. Em 1919, oito anos depois de chegar a São Paulo e trabalhar com fotografia convencional, firmou-se na produção de filmes com o curta-metragem Exemplo Regenerador, ficção de baixo orçamento sobre mulher que se vinga do marido sempre ausente. Inaugurada a Rossi Film, em parceria com o sócio José Medina, a empresa se abriria a documentários e ganharia suporte do Estado para a realização do cine-jornal Rossi Atualidades. Alguns desses títulos, inclusive o último da parceria e referência histórica Fragmentos da Vida (1929), estão na programação da Quinta Jornada Brasileira do Cinema Silencioso, na Cinemateca Brasileira.

No contexto de uma homenagem nesta edição à Itália, o caso Rossi aparece como uma espécie de vínculo inaugural entre a cinematografia dos dois países. Há um recorte dedicado à presença italiana no Brasil, no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro. O calendário amplia-se para títulos de produtoras tradicionais como a Ambrosio e fitas experimentais ou históricas daquele país, a exemplo Os Últimos Dias de Pompeia. Dirigido por Eleuterio Rodolfi em 1913, o filme será apresentado no sábado 6, às 20 horas, ao ar livre, no Auditório do Ibirapuera, com acompanhamento da Banda Jazz Sinfônica de Diadema. “A produção silenciosa italiana é a maior do mundo e descobri-la é projeto sem fim”, aponta o organizador da mostra Carlos Roberto de Souza.

A surpresa para ele, no entanto, não foram os títulos sugeridos pelos estudiosos de instituições italianas como o Museu Nacional do Cinema de Turim, cujo curador Luca Giuliani faz conferência no sábado 6, às 15h30. Trata-se do representante latino no evento Garras de Ouro, longa-metragem de 1926 realizado por Alfonso Martínez Velasco, o P. P. Jambrina, um dos primeiros títulos anti--imperialistas, por questionar a construção do canal do Panamá. “O filme é feito na Colômbia, mas suspeita-se que os integrantes não sejam locais e sim italianos.” Ele destaca ainda um dos episódios da série de divas, Il Fuoco, ou O Fogo (1916), de Giovanni Pastrone, que encantou Salvador Dalí.

São 57 filmes, 22 deles exibidos em sessões musicadas, e há uma retrospectiva de Georges Méliès. O pioneiro Jean Grémillon está escalado com seu Guardas de Farol. Da Manhã à Meia-Noite teve vetada sua exibição na Alemanha dos anos 20 não por questões políticas, mas estéticas. Já os brasileiros viviam problemas de outra ordem. Por limitação técnica, títulos amadores gaúchos, como Passos na Madrugada e O Caso da Joalheria, eram produzidos sem som em plena vigência do cinema sonoro, nas décadas de 40 e 60.

Desajuste sem dor

Vejo Você no Próximo Verão

Philip Seymour Hoffman

Há um tanto dos personagens que o ator Philip Seymour Hoffman habitualmente interpreta no universo do seu filme de estreia como diretor, Vejo Você no Próximo Verão, em cartaz nos cinemas. Isso se revela de modo direto em Jack, o protagonista por ele vivido, um tipo desajustado às condições contemporâneas da vida, seja na busca mais afiada por um trabalho que substitua seu posto de motorista de limusine, seja na atitude incisiva para uma conquista amorosa. Esta se complica pelo fato de Connie (Amy Ryan), objeto do interesse de Jack, ter também suas inseguranças e limitações no assunto. O resultado é que um casal de amigos em comum, há um tempo em crise, tentará aproximá-los por vias como a culinária.

Não chega a ser um entrave ao filme essa decisão de Hoffman de formatar um contexto que lhe é muito próximo nas produções em que atua. Mesmo porque o ator está confortável nessa versão para o cinema de um papel que também lhe coube no teatro.

Mas justamente por isso a escolha demonstra mais cautela do que risco e, principalmente, surge requentada da figura com a qual nos acostumamos a vê-lo. Mais interessante, por fim, se sai o casal de amigos (John Ortiz e Daphne Rubin-Vega), enroscados numa situação que envolve adultério de ambas as partes. As discussões e acertos têm maior contundência e não apelam a características de estranheza que aproximariam duas pessoas pelo desajuste.