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Sugestões de Bravo! para ver

por Orlando Margarido — publicado 17/12/2011 10h36, última modificação 17/12/2011 10h36
Nesta semana, Bravo! traz O Dia Antes do Fim, Crônica da desilusão, com Geroge Clooney, e Adeus, primeiro amor, uma história de amor mal acabada
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Kevin Spacey é o primeiro na espiral de responsabilidades

O fator
humano

MARGIN CALL – O DIA ANTES DO FIM

J.C. Chandor

 

Margin call – O dia antes do fim, em cartaz nos cinemas, tem a qualidade antes de qualquer outra de trabalhar, com o distanciamento necessário no tempo e sem maniqueísmos, um fato de contornos dramáticos que abalou o mercado financeiro. No caso, trata-se da crise americanade 2008, que fez sucumbir grandes bancos de investimentos locais, como o Lehman Brothers e Merrill Lynch, e o contingente profissional dentro deles. Não se assume, mas é da primeira corporação, suposta origem do abalo econômico, que se fala no filme de estreia do diretor J.C. Chandor.
Até porque não lhe interessa tanto acompanhar a conotação de desgaste empresarial do momento, mas sim o fator humano envolvido no turbilhão.

A primeira sequência é exemplar desse aspecto. O analista de alto escalão de uma dessas agências de especulação (Stanley Tucci) é demitido com outros empregados. Antes de limpar a mesa, no entanto, deixa com um de seus subordinados (Zachary Quinto) um arquivo de memória que explica detalhes de uma operação complexa que notadamente terminará numa grave crise.

O rapaz leva a análise aos seus superiores e tem início a espiral de responsabilidades sobre o caso, que começa com um diretor compassivo e realista (Kevin Spacey), passa por um perfil arrogante (Demi Moore) e termina no dono, magnata de aparência inescrupulosa, mas com lições a dar de sobrevivência nesses casos, num ótimo desempenho de Jeremy Irons, aliás, como de todo o elenco. No Festival de Berlim deste ano, em que concorreu, o diretor alegou acreditar que não  cabia sentenciar numa crise dessa proporção apenas um responsável. A nação toda, disse, seria a culpada por alimentar tal sistema. Uma reflexão rara que faz o filme crescer na média da cinematografia americana, pouco afeita a contextos.

 

Crônica da desilusão

TUDO PELO PODER

George Clooney

 

No título original, Ides of March, ou “idos de março”, refere-se à rede de traições tecida em Roma por Brutus para assassinar Júlio César naquele período de 44 a.C. Na versão nacional do filme, previsto para estrear na sexta 23, ficou Tudo pelo Poder. Óbvio, ao menos leva o espectador direto ao ponto deste thriller político dirigido com a competência já esperada de George Clooney, em seu quarto filme atrás das câmeras. Ele também atua e seu personagem é o pivô de uma situação delicada e constrangedora quando, governador na disputa pelas primárias presidenciais pelo estado de Ohio, envolve-se com uma jovem colaboradora. O contexto, claro, remete à situação de Bill Clinton e pode ser demeritório ao candidato. Mas não será esse o foco da disputa, e sim como seus assessores diretos lidarão com os meandros sujos do bastidor político de reveses e traições, numa atmosfera shakespeariana.

Em especial o personagem de Ryan Gosling, Stephen Meyers, homem voltado ao confronto com a mídia, encontra-se conturbado entre a sedução da beleza novata de uma estagiária aparentemente ética (Rachel Evan Wood) e os apelos constantes de um colega rival (Paul Giamatti) para trocar de lado na campanha eleitoral. Pode-se alegar certa ingenuidade do rapaz na ginga necessária a essas disputas, mas a seu favor conta talvez um nível de jogo duro nunca antes por ele enfrentado. Meyers está de certa forma amadurecendo nesse processo e isso faz sentido ao pensamento
de Clooney esboçado quando da participação do filme no Festival de Veneza deste ano. O longa-metragem foi concebido antes da vitória de Obama, mas ele achou a visão cínica demais para o momento e resolveu esperar. O resultado, talvez por isso, esteja mais para uma desilusão com a nova era do que para uma saudação positiva dela. “Agora, mais que nunca, a trama tem o que falar às pessoas”, justificou. –OM

Malogro afetivo

ADEUS, PRIMEIRO AMOR

Mia Hansen-Love

O tema de Adeus, Primeiro Amor, estreia desta sexta 16, é aquele universal de fácil apreensão. Trata-se da fase da descoberta do sentimento romântico, aquele surgido na iniciação, em geral ocorrida na adolescência. Comose sabe, pode ser uma relação bem-sucedida ou malograda. É esse último o caso de Camille (Lola Créton), de 15 anos, apaixonada por Sullivan (Sebastian Urzendowsky), quatro anos mais velho e de traços maduros. Sullivan é recíproco na paixão, mas até o momento em que as exigências possessivas dela e a aspiração por liberdade falam mais alto. O jovem então decide pela viagem também necessária à maturidade e a deixa, entregue à depressão.

É um conto de amor recorrente. Mas há frescor e firmeza de propósitos neste drama suficientes para que as referências não passem disso. A diretora Mia Hansen-Love não se contenta com um protótipo de amor adolescente e  saca elementos do cinema francês, especialmente de  Rohmer e Truffaut.