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Cultura

Sugestões de Bravo! para ver

por Redação Carta Capital — publicado 10/12/2011 08h43, última modificação 10/12/2011 08h43
Nesta semana, a seção de cultura de CartaCapital traz uma mostra de pinturas de Eliseu Visconti na Pinacoteca e o filme Isto não é um filme
Deveres, 1908

Deveres, de 1908, influência neoimpressionista

ELISEU VISCONTI – A MODERNIDADE ANTECIPADA

Pinacoteca do Estado, São Paulo
10 de dezembro a 26 de fevereiro

 

É pouco provável dar-se conta hoje da dimensão pública da obra de Eliseu Visconti (1866-1944). Mas ela está no teto e foyer do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, recém-restaurado, no ex-libris da Biblioteca Nacional, na decoração de palácios da cidade, em selos, cartazes e demais manifestações de arte gráfica que consumaram um ato precursor no design nacional, também porque por ele industrializado. A essa fatura respondeu uma mostra da produção decorativa do artista, realizada na Pinacoteca do Estado, em2008. A mesma casavolta a Visconti agora com fôlego redobrado para melhor captar sua figura de pintor, aliada a outras, igualmente desconhecidas por se encontrarem as obras em boa parte em mãos particulares.

A exposição Eliseu Visconti – A modernidade antecipada, em cartaz a partir de sábado 10, reúne 250 trabalhos entre pinturas, desenhos e cerâmica, além de documentos, para atestar a tese do título. Italiano emigrado para o Rio, o artista faz uma trajetória comum ao período a partir de 1883 no Liceu de Artes e Ofícios local, depois na Academia de Belas Artes e por fim em Paris, para então se desviar dela na procura de uma atualização. É nesse ponto, segundo seu maior estudioso, Frederico Barata, que ele dá início a um marco de divisão na pintura nacional, influenciado pelos neoimpressionistas na palheta de cores e luzes acentuadas. O crítico Mário Pedrosa ressalta os tons puros dessa passagem, que podem ser conferidos em telas comoA Convalescente (1897),  Maternidade (1906) e Na Alameda (1931), esta um retrato da família em que se vê o próprio artista.

CINEMA

Apelo por liberdade

ISTO NÃO É UM FILME

Mojtaba Mirtahmasb e Jafar Panahi

 

Oque fazem as cabeleireiras quando não trabalham? Cortam os cabelos umas das outras. A piada de Jafar Panahi em Isto não É um Filme vem num contexto irônico. O que faz um cineasta como o flele, preso e proibido de filmar? Filma outro cineasta. É o que acontece entre ele e Mojtaba Mirtahmasb, realizador da fita, quando este filma o colega e Panahi devolve a imagem com um celular. Mirtahmasb levou o trabalho clandestino aCannes. Panahi foi condenado a seis anos de prisão e 20 de banimento do cinema. Naquele momento, em prisão domiciliar, aguardava novo apelo às autoridades iranianas. Mas a resposta em outubro confirmou a sentença. No filme vemos um dia na vida do cineasta, ao telefone, encenando as filmagens de um novo trabalho. É tocante sua aflição. Se não pode sair de casa, recebe visitas. Parece uma vida confortável, mas não é,comoquis lembrar Magritte com a tela Isto não É um Cachimbo, simbólica do apelo de Panahi por liberdade.

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