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Exposição e Cinema

Sugestões de Bravo! para ver

por Orlando Margarido — publicado 03/12/2011 09h14, última modificação 03/12/2011 09h14
Nesta semana, As Canções, de Eduardo Coutinho, o universo do cinema de Bhollywood e exposição de Marcelo Grassmann
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Sonho medieval, obra sem título e data, por Marcelo Grassmann

EXPOSIÇÃO

Gravador fabuloso

MARCELO GRASSMANN, MATÉRIA DOS SONHOS

Espaço Cultural Citi - SP
5 de dezembro a 3 de fevereiro
MARCELO GRASSMANN, SOMBRAS E SORTILÉGIOS
Caixa Cultural Rio de Janeiro
6 de dezembro a 15 de janeiro

 

Enquanto o universo mítico e fantástico do gravador paulista Marcelo Grassmann aguarda retrospectiva em escala museológica, duas mostras procuram dar conta do rico imaginário de sua obra. Em São Paulo, 33 peças do artista têm adendo luxuoso, as 217 matrizes em metal realizadas em 65 anos de ofício. A magnitude de seu talento na técnica e expressão de um mundo pessoal também poderá ser medida na individual do Rio. São mais 60 peças entre xilos e litogravuras, além de gravuras em metal. Comcaráter de antologia, traça um painel evolutivo da trajetória
do mestre de 86 anos.
Nesse trajeto é improvável encontrar algum elemento temático não identificado com seu estilo. No início expressionista, o artista mostrará a que veio sua imaginação no álbum de estreia em 1949, com os cavaleiros de ideário medieval. Logo surgiria a mitologia, com sereias e demônios, além de personagens meio humanos e meio animais, numa metamorfose inspirada. Há quem busque na ascendência germânica justificativa para tal interesse. Mais certo é o reconhecimento do próprio artista de sua apreciação pelo flamengo Bosch e pelo austríaco Alfred Kubin, com quem conviveu em Viena.

 

Além de Bollywood

BHAVA – UNIVERSO DO CINEMA INDIANO

CCBB Rio de Janeiro
5 a 30 de dezembro

A vasta dimensão territorial e étnica da Índia também se reflete no seu cinema. A cada região, vincula-se uma produção cinematográfica própria que não chega aos olhos do mundo devido à supremacia industrial de Bollywood. A mostra Bhava – Universo do cinema indiano quer jogar luz sobre essas iniciativas particulares com uma seleção de 35 filmes que serão exibidos entre 5 e 30 de dezembro no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro. Em março, o ciclo vem para
o CCBB paulista.

O espectador conhecerá denominações como o cinema Marathi, produzido no estado de Maharashtra, e Malayalam, do território de Kerala, berço do diretor Adoor Gopalakrishnan. Prestigiado lá, ele está representado pelo filme Quatro Mulheres (2007). Em Kerala faz sucesso também em uma centena de salas o filme Indian Rupee, que inaugura a programação.
O diretor Ranjith é convidado do evento para apresentar seu drama sobre jovem envolvido com o mercado imobiliário. Uma das atrizes, Reyathi, vem ao Rio com sua estreia na direção em 2002, Mitr: My Friend, e integra a sessão dedicada às mulheres cineastas, exemplo da internacional Mira Nair.

CINEMA

Qual é a música?

AS CANÇÕES

Eduardo Coutinho

As canções pode ser analisado como uma confluência dos interesses do cineasta Eduardo Coutinho na última década. Neste documentário, temos dispositivo semelhante a Jogo de Cena, quando a câmera se abre a anônimos e atores profissionais interpretando aqueles para contar seus dramas pessoais. Agora há apenas desconhecidos e em vez de somente falar eles também cantam. Se o recurso no filme anterior subverteu a gênese documental, agora temos uma relação mais acomodada, mas não menos instigante. Coutinho quer tratar da importância da música na vida das pessoas e não estará enganado quem se lembrar do contagiante personagem de Edifício Master que interpreta My Way. O interesse também não perde de vista as histórias cotidianas dos personagens e nesse sentido faz ligação com a investigação iniciada em Santo Forte e seguida em títulos posteriores
como Babilônia 2000.

A relação, a bem verdade, passa mais ao largo do que se pode depreender dos depoimentos. Aqui o que interessa é pinçar a emoção provocada por determinada canção, em geral em circunstâncias e passagens  dolorosas ao entrevistado. Simbólica é a fala do rapaz que chora ao lembrar a mãe morta e a música preferida dela.
Em geral, o repertório integra mais a noção popular do cancioneiro brasileiro do que
a sofisticada MPB, embora essa compareça com Noel Rosa e Chico Buarque. Roberto Carlos e outros integram o roteiro da dor de cotovelo,  razão maior da memória musical de vários perfis.  – O.M.