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Sugestões de Bravo! para ver

por Redação Carta Capital — publicado 23/10/2011 09h11, última modificação 23/10/2011 10h04
O capital da arte, de Sigmar Polke, e Festival de Cinema 4+1, são destaques da agenda cultura da semana
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Sigmar Polke - Realismo capitalista e outras histórias ilustradas

O capital da arte

Pintor alemão faz pilhéria do consumismo ocidental

Por Orlando Margarido

Sigmar Polke - Realismo capitalista e outras histórias ilustradas
Masp, São Paulo
De 28 de outubro a 29 de janeiro

Uma das qualidades, talvez a maior, da seleção de duas centenas de obras gráficas do pintor alemão Sigmar Polke (1941-2010) que o Masp apresenta a partir de sexta 28 é enfeixar o período completo de sua trajetória pessoal e artística. Ao menos aquela oficial, que se inaugura em 1963 com a famosa e influente mostra batizada de Realismo Capitalista, ao lado dos colegas Gerhard Richter e Konrad Lueg. Por esse tempo, no que diz respeito
ao contorno biográfico, Polke ainda era um estudante de Joseph Beuys na Academia de Arte de Düsseldorf e faria sua primeira individual três anos depois na Galeria René Block, em Berlim Oriental, locação perfeita para sua crítica matreira ao realismo socialista que grassava na arte soviética de então. Mas seus elementos de imagem preferidos, como pão e tomate ou batatas, nas poucas instalações que fez, associadas a signos da mídia massificada, também alcançavam uma pilhéria do consumismo típico da cultura ocidental. Por essas referências, seu trabalho foi comumente associado à pop art americana.

O conjunto das edições de gravuras apresentadas alcança o ano de 2009 e tem a intenção também de apontar o limite estreito de uma catalogação de gênero no caso de Polke. Enquanto o pop americano ironizava a massificação, o alemão ria com ironia dessa e também do próprio sentido de apropriação daquela na arte. O olhar corrosivo e dúbio era seu capital. Ao relembrar o título de uma retrospectiva do artista na Tate de Londres, o curador do Masp Teixeira Coelho acolhe a ideia de uma história de tudo para analisar a obra daquele. Isto na ambição visual de Polke em tudo querer arregimentar em seus trabalhos, mas também na técnica, exercitando-se na pintura, fotografia, no desenho, no filme  e nos guaches. Pesquisou, igualmente, novos materiais para suas telas, de sucos de frutas e vegetais a arsênico em pó. Em 1986, ganhou o Leão de Ouro da Bienal de Veneza com um projeto que variava na cor de acordo com a luz e a umidade, graças a uma tinta formada de pigmentos reagentes por ele inventada.

A falta de uma representação ideal na pintura gestual e impactante de Polke pode ser compensada no Masp por uma significativa série pela qual mereceu outro prêmio. Desta vez na 13ª Bienal de São Paulo, quando expôs a obra Day by Day, composta de 25 trabalhos na técnica mista de desenhos, gravuras e colagens. Na época, o conjunto agora de propriedade de Axel Ciesielski foi exibido em forma de cadernos e volta desta vez com os originais. Exemplar do interesse do artista nos anos 70 em aproximar pintura e fotografia, é mais um recorte de sua extensa e influente produção, incontornável até hoje para seguidores como seu compatriota Martin Kippenberger e os americanos Richard Prince e David Salle.

Foco no autor

Por Willian Vieira

Festival de Cinema 4+1
CCBB, Rio de Janeiro
26 a 30 de outubro

O georgiano Otar Iosseliani teve seus filmes proibidos na então URSS. Era tanta a dificuldade para filmá-los que o diretor acabou emigrando para a França, no início dos anos 1980. Chantrapas, de 2010, é fruto de sua odisseia particular, uma sátira dos percalços econômicos
e políticos envolvidos no complexo processo de rodar um filme em condições adversas. Depois de ser exibido em Cannes, o título recebeu o Prêmio Especial do Júri no Festival de Mar del Plata e foi proposto pela Geórgia para competir ao Oscar.
Só agora chega ao Brasil, mais especificamente ao Rio, pelas telas do Festival 4+1.

Aqui, o foco é no autor. Promovido pela Fundación Mapfre, o 4+1 traz 14 filmes premiados em festivais internacionais, mas que não entraram no circuito comercial. Realizado ao mesmo tempo na Argentina, Brasil, Colômbia, Espanha e México, o evento chega
à segunda edição com nomes que chacoalharam importantes competições mundo afora, como King of  Devil’s Island, uma das revelações da última edição da Mostra de Valência. O filme do norueguês Marius Holst traça a trajetória de crianças pobres em um reformatório em uma ilha nos fiordes, em 1915, mesclando a típica tensão de um filme do gênero carcerário com alegorias políticas quase foucaultianas. O ponto alto, porém, deverá ser a retrospectiva sobre a cineasta japonesa Naomi Kawase, que competiu pela Palma de Ouro na última edição do Festival de Cannes com Hanezu no Tsuki (2011). Homenageada do evento,
ela terá esse e outros três filmes projetados nas sessões especiais: Hotaru 2009, Genpin e Shara.