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Sugestões de Bravo! para ouvir

por Redação Carta Capital — publicado 26/11/2011 11h10, última modificação 26/11/2011 11h10
Nesta semana, um CD que mistura ritmos do Brasil e Jamaica e o álbum Diurno, de Ava
BID bambas dois book

Um balanço danado.

Um balanço danado

BAMBAS DOIS – BRASIL-JAMAICA

BiD
Natura/Universal

 Por Tárik de Souza

No volume 1, intitulado Bambas & Biritas, misturavam-se samba, funk, rap, soul e afluentes nas vozes de Seu Jorge, Black Alien, Elza Soares, Rappin’ Hood, Marku Ribas e Carlos Dafé. O Bambas Dois liquidifica baião, reggae, dub, xote, dance hall, maracatu, ska e arrastapé, reunindo músicos do Brasil e da Jamaica.
O alquimista dos projetos é o mesmo, Eduardo Bidlovski, o BiD, artífice de outras fusões como o grupo Funk Como Le Gusta e a produção do clássico Afrociberdelia, de Chico Science e Nação Zumbi. Num barco em férias pela Jamaica, em 2009, ele rodou no CD player outro hibridismo, Francisco, Forró y Frevo, sua produção para o paraibano Chico César, e o piloto começou a improvisar em cima. Nascia a ideia de conectar ramais afro das Américas central e sul, num projeto ainda mais orgânico que a imersão Kaya n’gan Daya, de Gilberto Gil, em 2002.

Voz e guitarra no manifesto Music for All, ao lado dos veteranos Heptones, BiD remexe um caldeirão de criações coletivas capaz de congregar Dominguinhos e Ky-Mani (filho de Bob) Marley, em Brasil (Little Sunday), definida pelo sanfoneiro como“um xotezinho com um balanço danado”. Chico César encontra o novatoJah Marcus em Little Johnny. TonyRebel, do festival Rebel Salute, confronta guitarra e viola de Siba, ex-Mestre Ambrósio, em We put the ‘m’ inna music. Em Lehá dodi, duelam as vozes afiadas de Karina Buhr e Oku Onuora. E ainda há U-Roy, Luis Melodia, Ernest Ranglin, Bi Ribeiro e Queen Ifrica, num encadeamento sonoro crivado de surpresas a cada nova audição. 

CD

Uma voz para a poesia

DIURNO

Ava Warner

 

A poesia é a matéria-prima que a cantora e cineasta Ava Rocha utiliza em sua estreia, Diurno. Ao lado dos músicos Daniel Castanheira, Nana Carneiro e Emiliano 7, com quem se apresenta desde 2008, a filha de Glauber Rocha exibe a voz grave e personalíssima. Em arranjos inovadores,
ela interpreta canções novas e antigas e oferece ousadias como a faixa Batendo no Mundo, 2 minutos e 50 segundos que têm como base três frases de um poema do livro Água Viva, de Clarice Lispector: “Cada instante é a impressão de que estou por nascer/Sou um coração batendo no mundo”. Outros versos ganham voz, como os de Torquato Neto, em Pra Dizer Adeus, parceria com Edu Lobo. Uma regravação feliz é Movimento dos Barcos, de Jards Macalé e Capinam. Para homenagear Tim Maia, Ava interpreta Bons Momentos. Sé que Estoy Vivo recorre a versos de Jorge Gaitan Duran, seu avô. Intensa e de personalidade forte, traços herdados de Glauber, Ava mostra que tem brilho próprio. – ARAÚJO LOPES

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