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Cultura

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Sugestões de Bravo! para ouvir

por Redação Carta Capital — publicado 24/10/2011 09h45, última modificação 24/10/2011 17h06
Nesta semana, Bravo! traz o CD da pernambucana Karina Buhr e o Projeto Salve Samba, que resgata o ritmo em São Paulo
Sugestões Bravo! para ouvir

Nesta semana, Bravo! traz o CD da pernambucana Karina Buhr e o Projeto Salve Samba, que resgata o ritmo em São Paulo

O arrepio radical

Por Tárik de Souza

Coqueiro Verde

Dos tempos de coco, ciranda e maracatu, no grupo Comadre Fulozinha, resta apenas o leve sotaque pernambucano da solista Karina Buhr. Em voo autônomo, polido por longa convivência com o grupo teatral de Zé Celso Martinez Corrêa, a partir das Bacantes, em 2001, ela decolou solo no perturbador e aclamado CD Eu Menti pra Você, de 2010. Longe de Onde radicaliza ainda mais a proposta experimental e alternativa do anterior. Boa parte dos músicos do primeiro disco foi mantida, incluindo as guitarras de Fernando Catatau e Edgard Scandurra, dessa vez com participação mais decisiva na criação das texturas
e timbres, juntamente com o trompete de Guizado. Repetem-se, ainda, o baixo de Mau, a bateria e percussão de Bruno Buarque, ambos coprodutores desse disco, ao lado da autora
das 11 músicas e letras.

Depois de tanto verbo/a pessoa morre de fome/ morre de rir/ de frio, fatia a balada ácida que sucede ao abre-alas Cara Palavra (cada palavra cala/ e ganha um signovosignificado), despenhadeiro de guitarras em escalas uivantes. Não posso suportar um amor
que é mais/ do que eu sinto por dentro, demole a letra seguinte, bordada pela meticulosa guitarra de Scandurra. Sucedem-se os climas, do canto quase falado da impressionista Sem Fazer Ideia ao bolero-rock esmaecido Pra Ser Romântica, o soturno reggae Cadáver
e a macabra The War’s Dancing Floor, única em inglês. O golpe letal do enredo trançado por Karina alterna a doçura de Amor Brando com o amargo Copo de Veneno e a lancinante Não Precisa Me Procurar. Pelos arrepiados com requinte.

Sampa tem samba

Por Willian Vieira

Projeto Salve Bamba
Germano Mathias
Sesc Belenzinho, São Paulo
30 de outubro

O samba paulistano tem o sotaque de Germano Mathias. Ligado a uma São Paulo que não se envergonhava nem do samba nem do carnaval que fazia, ele evoca, com sua síncope, um Centro vivo. Lá vivia Mathias, tamborilando em latinhas de graxa entre as rodas de samba dos engraxates da Praça João Mendes. E é com a mítica tampa de lata que ele celebra 56 anos de carreira. Mathias começou em 1955, em um programa de calouros. Em 1956, gravou o primeiro sucesso, Minha Nega na Janela, em 78 rotações. Em 1957, o primeiro LP, Germano Mathias, o Sambista Diferente. Entre altos e baixos, chegaria ao século XXI intacto. Saem do tantan, pandeiro, cavaco, violão e trombone da banda Partido na Cozinha, que acompanha o músico, sucessos de Zé Keti e Nelson Cavaquinho. Mathias escreveu Guarde a Sandália Dela, gravou Joga a Chave, de Adoniran Barbosa.
Será sempre um sambista diferente.