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Sugestões de Bravo! para ler nesta semana

por Vinicius Jatobá — publicado 28/05/2011 18h40, última modificação 28/05/2011 18h40
Na seção Bravo! da edição 648 de CartaCapital, A Beleza Salvará o Mundo, do historiador Tzvetan Todorov, e Amor Sem Fim, do escritor britânico Ian McEwan

Relações visíveis
A beleza Salvará o Mundo, do historiador Tzvetan Todorov, é um deleite. Ele mergulha na obra de três personalidades literárias icônicas, Wilde, Rilke e Tsvetaeva, para traçar estórias em que a paixão pela arte, e por um viver artístico, uma forma de estar no mundo, embarga a chance de esses autores terem uma relação saudável com o mundo. Mesmo que o contexto político ao redor dos autores seja arriscado, há algo na maneira como a literatura deforma a imaginação desses escritores que os condena à miséria.

Há duas maneiras de ver o ofício literário. Uma delas, que afirma ser a literatura uma atividade como outra qualquer, um trabalho. E a outra maneira coloca os autores como personagens dramáticos, uns danados, acossados por demônios. O caminho burocrático legou ao mundo tantas obras-primas quanto o caminho atormentado, talvez até mais. No entanto, é difícil para o público (e para os críticos) apreciar autores cujas vidas são normais, regulares. “Absoluto” é um conceito demasiado histérico para analisar obras de arte, e fala mais do desejo de experiência daquele que analisa do que de seus autores.

O que torna os livros de Todorov imperdíveis é a textura de sua escrita. Não apenas a legibilidade daquilo que redige é instigante, como, enquanto historiador, ele torna visíveis todas as relações sociais e culturais em redor dos autores. Ele cita dezenas de fontes. Explica, sem parecer pedante, contextos mais ambíguos. No entanto, o fato de um autor estar demasiado apaixonado por sua miséria não faz com que essa miséria seja um caminho para toda a arte. - VINICIUS JATOBÁ

A Beleza Salvará o Mundo, de Tzvetan Todorov
Editora Difel, 352 págs., 45 reais

Percurso tortuoso
No romance Amor Sem Fim, do escritor britânico Ian McEwan, os acontecimentos sucedem-se em ritmo acelerado, o suspense se instaura e o inesperado permeia toda a narrativa. O leitor é desafiado da primeira à última página a compreender a trajetória de Joe Rose, um escritor de artigos científicos, e sua esposa Clarissa, estudiosa da obra de John Keats. Durante um piquenique, o casal é surpreendido por um grito, que rompe o cotidiano idílico no qual estavam imersos. Movido pelo impulso, Joe tenta salvar uma criança presa em um balão e os riscos e as tensões do momento conduzem a um desfecho que se transforma em um fardo a ser compreendido.

O tema amoroso, anunciado pelo título, possui um desenvolvimento absolutamente inesperado, pois as consequências do infortúnio vivido pelo casal se intensificam após o aparecimento de outro personagem, Jed Parry, que protagoniza um tipo de amor obsessivo, patológico. As intrigas vividas pelos personagens adquirem muitas facetas e os leitores mergulham em um emaranhado de pistas que provocam desconfiança e desorientam a lógica. No final, as dúvidas se dissipam e cedem lugar às explicações plausíveis. No entanto, o percurso tortuoso das verdades faz pensar sobre os significados e os riscos de um amor sem fim. - ANA LÚCIA TREVISAN

Amor Sem Fim, de Ian McEwan
Companhia das Letras, 296 págs., 46 reais