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LIvro e CD

Sugestões de Bravo! para ler e ouvir

por Redação Carta Capital — publicado 20/11/2011 08h15, última modificação 20/11/2011 08h15
Nesta semana, o CD de Jards Macalé e o Poeta e o Passarinho, livro de Ricardo Viveiros dedicado ao público infanto-juvenil
jards

Jards Macalé lança CD

CD

Tropicalista dissidente

JARDS

Jards Macalé
Biscoito Fino

 

Pouco sabido diretor musical do anguloso Transa, gravado por Caetano Veloso no exílio, em 1971, o tropicalista dissidente Jards Macalé rastreia a própria trajetória assimétrica em Jards, cercado de convidados surpreendentes. Da densa cantora “do cabelo cor de abóbora”, musa de Chico Buarque, Tahís Gullin, hospedada no Hotel das Estrelas, entre “mortos embaixo da escada”, ao Elton Medeiros de vocal calçado
na caixa de fósforos, no épico bíblico de Nelson Cavaquinho, Juízo Final. Luís Melodia adiciona a picardia do Estácio à releitura de Negra Melodia, reggae pioneiro, de Macalé
e Waly Salomão, de 1977. Também da dupla é um hino da era do desbunde, Mal Secreto, reforçado pelo ex-Barão Vermelho Roberto Frejat, usuário da conexão rockblues do tema.

Outra presença inesperada é a da estreante Ava (filha do cineasta Glauber) Rocha, cujo contralto rascante modula
o acalanto Berceuse Crioulle, mais uma do enclave Macalé-Salomão. A dupla ainda é fiadora da corrente “morbeza romântica” de Dona do Castelo, na voz ébria de Macalé, a qual, adiante, emula o diálogo entre Louis Armstrong e Sarah Vaughan em Black and Blue, clássico
de Fats Waller, lançado
no musical da Broadway
Hot Chocolates, de 1929.
Em espanhol, desliza o belo
e intrigante exemplar da nova trova cubana, Unicórnio,
de Silvio Rodrigues. E se Revendo Amigos (Volto pra Curtir), de 1972, ganhou resfolego de xaxado, por
que não fechar o disco num desafio em clima de ode, Mulheres, em inimaginável dupla autoral com o paraibano Zé Ramalho? – TÁRIK DE SOUZA

LIVRO

Poesia
que brota da dor

O POETA E O PASSARINHO

Ricardo Viveiros
Biruta, 36 págs., R$ 32

 

Um poema necessário. Foi dessa forma que o escritor, cartunista e desenhista Ziraldo definiu o primeiro livro que o jornalista e escritor Ricardo Viveiros dedica ao público infanto-juvenil. O autor de outras 23 obras voltadas ao mundo adulto mergulha na tragédia pessoal, da qual emerge com delicadeza, auxiliado pelo traço de Rubens Matuck. Sobrevivente da dor da morte de um filho adulto e de uma neta ainda bebê, vítimas de um motorista irresponsável, anos atrás, Viveiros usa a poesia como boia de salvação.
Por meio do encontro entre um poeta solitário e um frágil passarinho, o autor aborda a efemeridade da vida.

Para ilustrar a obra de tema sensível, Matuck recorre à sutileza do lápis de cor  sobre papel-arroz chinês. O premiado artista paulistano, que Aldemir Martins apresentou em
1993 como “senhor da mão que revela os mistérios das coisas e seres, conhecedor de peixes, pássaros, e pessoas”, transforma traço em poesia. – ANA FERRAZ

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