Você está aqui: Página Inicial / Cultura / Sugestões de Bravo! para ler

Cultura

Livros

Sugestões de Bravo! para ler

por Redação Carta Capital — publicado 02/10/2011 09h11, última modificação 06/06/2015 18h15
Para ler nesta semana, a seção Bravo! sugere uma coletânea de renomados historiadores, que investigam a criação de uma ideia nacional brasileira, e obra com grafismos de Karlos Rischbieter, que realiza exposição em Curitiba

CRISE COLONIAL E INDEPENDÊNCIA: 1808-1830 (COLEÇÃO HISTÓRIA DO BRASIL NAÇÃO)
Alberto da Costa e Silva (org.) Editora Objetiva, 256 págs., R$ 39,90

A história brasileira é um sucesso, ainda que editorial. Provam-no dois livros de Laurentino Gomes, 1808 e 1822, que, juntos, somam um milhão de exemplares vendidos. Mas Gomes não é historiador. Antes, um compilador de ideias, acontecidas a partir do raciocínio alheio sobre descobertas historiográficas. Resta, então, que o historiador do Brasil prove o sabor da aceitação. Ou, quem sabe ainda, o da controvérsia, que muitos podem julgar morta no País.

A coleção História do Brasil Nação: 1802-2010, projeto editorial que segue os parâmetros da espanhola Fundación Mapfre, publicado em países como Argentina, Colômbia, Chile, Portugal, Espanha e EUA, almeja um bom público para seis volumes escritos por historiadores no formato de coletânea (a primeira, lançada agora, tem tiragem de quatro mil exemplares, mas já estão previstas reimpressões).


Coordenados por Lilia Moritz Schwarcz, os autores dos ensaios são Alberto da Costa e Silva, Boris Fausto, Rubens Ricupero, José Murilo de Carvalho, Elias Thomé Saliba, Boris Kossoy, Alfredo Bosi, Daniel Aarão Reis, Ângela de Castro Gomes, entre tantos de quilate. Eles investigam a criação de uma ideia nacional a partir de 1808, quando d. João VI aqui chegou, estrategicamente fugido, e equipou o Rio de Janeiro com a infra-estrutura apressada de um país (e algo neste episódio pode evocar os preparativos atuais para dois grandes eventos esportivos que o País receberá). O presente brasileiro, de forma pouco usual, também será objeto de análise histórica.

Os ensaios não têm nota de rodapé. Acolhem o leitor médio com linguagem direta. “Escrevemos mal porque só escrevemos para nosso público acadêmico”, afirmou em coletiva de lançamento, dia 28, o historiador José Murilo de Carvalho. Não bastasse isso, deve haver, nos textos, o novo e a iluminação que farão o ouro futuro dos divulgadores. Mais, os livros respeitarão o desacordo opinativo entre os autores das coletâneas.

É como se o projeto revitalizasse a academia para o leigo. O último volume sai em 2013. Em junho de 2012, o Instituto Tomie Ohtake expõe 600 fotografias selecionadas por Boris Kossoy. O volume sob sua coordenação, com 350 imagens, tem sabor de mistério, já que os 25 textos dos cinco tomos anteriores estão prontos. Kossoy é o grande pensador da imagem ligada à história, fazendo com que, da fotografia em si, resulte um conhecimento de época. Para Lilia, “iconografia é argumento e produz contexto”. Para Kossoy, trata-se de fazer a história do País perpassar a história cultural da fotografia. O quanto a palavra ajudará ou atrapalhará este percurso é o que saberemos. - ROSANE PAVAM

GRAFISMOS - CÓPIAS E DEFORMAÇÕES DIVERTIDAS
Karlos Rischbieter. Edição do Autor, 192 págs., R$ 150. À venda na Zilda Fraletti Galeria de Arte (www.galeriazildafraletti.com.br). Exposição até 1° de outubro

Ele andava solitário nas noites brasilienses, depois de passar por reuniões sem-fim nos gabinetes do governo de João Baptista Figueiredo, quando lhe ocorreu a maneira certa de relaxar a tensão. A maneira que lhe ensinou um vizinho, aos 13 anos. Pintar. Seus rabiscos, desde os tempos do Ministério da Fazenda, compuseram uma deliciosa pictoterapia, como ele decidiu intitulá-los. Karlos Rischbieter, atualmente conselheiro de empresas, presidente de honra da Aliança Francesa de Curitiba e integrante do conselho da Federação de Indústrias do Paraná, expõe na capital do estado 120 de suas “brincadeiras”.

As ilustrações estão contidas na exposição Grafismos – Cópias e deformações divertidas, que também compõem um livro. No texto de apresentação, diz Jaime Lerner: “Conheci a obra de Karlos Rischbieter, que eu chamei a princípio de cerzido invisível, bem como suas atrevidas reinterpretações dos grandes mestres, como Michelangelo, Dürer, Rembrandt, Ingres e Wunderlich, com inserções de páginas do livro-caixa do pai. Suas aquarelas e cópias são preciosas e constituem-se em original obra de arte. original. Karlos Rischbieter consegue inserções atrevidas nos clássicos com a qualidade de um desenho primoroso”. - REDAÇÃO CARTACAPITAL

registrado em: